O que é a doula?

A doula é uma acompanhante de parto capacitada. Durante a gestação ela vai conversar com a gestante, indicar leituras e vídeos que possam ajudar a mulher na construção e empoderamento quanto ao próprio parto. Durante o trabalho de parto e parto a doula oferece alívio não farmacológico da dor, apoio emocional, físico, encorajamento e incentivo. No pós-parto a doula pode ajudar com dicas de amamentação e cuidados com o recém-nascido.

Que novidade é essa? Isso é moda?

Não mesmo. O papel da doula sempre existiu. Antes da medicalização do parto, no tempo das nossas avós e bisavós, os partos aconteciam em casa, eram um evento familiar. As mulheres experientes da família ajudavam a parturiente dando apoio emocional e físico e também auxiliavam as parteiras nos pormenores (ferver água, buscar panos limpos, etc). As filhas mais velhas da parturiente ou outras parentes se encarregavam de cuidar das crianças. Depois do parto, elas permaneciam na casa da mulher para ajudá-la nos afazeres domésticos e nos cuidados com o recém-nascido no período do resguardo. No início do século XX com a transferência do parto para o ambiente hospitalar, este deixou de ser um evento partilhado entre pessoas íntimas da família para ser apenas mais um procedimento médico. A comunidade de mulheres que ajudava no parto é substituída, quando muito, pela figura da enfermeira. Desde então a mulher tem sido deixada à própria sorte no momento do parto, sendo-lhe negada muitas vezes a presença do(a) companheiro(a).

a presença das mulheres na cena do parto é algo comum na história da humanidade

a presença das mulheres na cena do parto é algo comum na história da humanidade. Fonte: google images

 

O que a doula faz?

A doula oferece alívio não- farmacológico da dor, para isso, ela pode utilizar técnicas de massagens, aromaterapia, exercícios na bola suíça, dentre outras opções. A doula também funciona como suporte emocional e psicológico para a mulher, procurando construir, dentro das possibilidades, um ambiente favorável para o melhor desfecho do parto. Estudos comprovam que a presença da doula:

– reduz a duração do trabalho de parto

– reduz a necessidade de analgesia ou anestesia

– os nascimentos naturais são mais frequentes quando a mulher conta com a presença de uma doula

– a presença contínua de uma doula reduz a incidência de cesarianas

Efeitos psicológicos e a longo prazo em uma mulher que recebeu suporte de uma doula:

Por ajudar na construção de um ambiente favorável ao parto, aumentando as chances de uma experiência positiva, a presença da doula está relacionada com melhores níveis de bem estar no pós-parto, sucesso na amamentação e bom desenvolvimento no vínculo mãe-bebê nos primeiros dias. A mulher no puerpério, se encontra em um período sensível, os cuidados que ela e seu filho receberam durante o parto tem impacto imediato na sua autoestima , na relação com seu/sua companheiro(a), com seu bem estar e nos cuidados com o recém-nascido.

eu e minha doula durante o trabalho de parto em casa

eu e minha doula durante o trabalho de parto em casa (antes de ir para o hospital)

O que a doula faz o marido ou outro acompanhante não poderiam fazer?

Teoricamente sim. Mas a doula é uma profissional capacitada para aquilo. Outro ponto a se levar em consideração é que pessoas muito próximas da parturiente estarão emocionalmente muito envolvidas com a cena de parto, alguns podem ficar nervosos, tensos, ansiosos e pela confusão dos próprios sentimentos não conseguirão dar o apoio emocional que a parturiente necessita. A doula por outro lado é capaz de lidar e entender de forma profissional os sentimentos da mulher e de forma geral saberá usar de artifícios para  controlar as emoções das demais pessoas envolvidas na cena do parto. Possibilitando, assim, que o ambiente do parto seja o mais tranquilo e aconchegante possível para que a mulher se sinta segura. A presença de uma doula permite que os maridos e acompanhantes curtam o parto, se envolvam e participarem emocionalmente, deixando de lado outras preocupações.

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a doula é uma profissional capacitada para acompanhar partos. Fonte: google images

O que a doula não faz?

A doula não realiza procedimentos técnicos e médicos, como: toques vaginas e ausculta do coração do bebê. Ela também não decide o tipo de parto e nem as intervenções a serem feitas (ou não) na mãe e no bebê. Tudo isto deve estar previamente acordado entre a doula e sua cliente e registrado em um plano de parto.

Nesse link você pode ler mais sobre as funções da doula:

http://www.doulas.com.br/oque.php

http://www.despertardoparto.com.br/doula—o-que-eacute.html

 

Vale a pena contratar uma doula? Faz diferença?

Sim, sim, sim! Faz muita diferença. Não sou a favor do endeusamento da figura da doula, afinal o parto é da mulher e ela é a protagonista daquele momento. Mas, falando por experiência própria: contratar uma doula foi um passo importante na minha preparação para o parto, pois saber da sua presença me deu confiança e tranquilidade para me entregar ao processo do parto e parir. Além de todo o aspecto técnico do alívio das dores, eu sabia que ela seria meus olhos, ouvidos e boca, enquanto eu estava ali na Partolândia. Ela sabia como eu queria vivenciar o parto, ela me compreendia, estava ali para me ajudar a escalar a montanha do parto e ver a vista lá de cima. Deu segurança a mim e a meu marido, pois com o apoio dela o parto foi uma experiência incrível para nós dois.

em todas as fotos do parto eu estou com uma feição exausta e as demais pessoas com semblantes tranquilos. É muito interessante isso! Nessa minha doula tá até rindo... rsrs

em todas as fotos do parto eu estou com uma feição exausta e as demais pessoas com semblantes tranquilos. É muito interessante isso! Nessa minha doula tá até rindo… rsrs

 

O Quarto Montessoriano de Vinícius

O método Montessori é aplicado em diversas áreas da educação infantil e se utiliza de várias estratégias. Dentre outros princípios, ele prega a autonomia da criança, uma educação sensorial e a construção de um espaço onde ela possa desenvolver e explorar suas habilidades naturais, através do estímulo e da curiosidade.
Os quartos montessorianos não possuem berço. A cama fica no chão para que a criança possa subir e descer de acordo com sua vontade. Um espaço de atividades com espelho permite que ela observe seus movimentos e tenha maior consciência corporal. Uma caixa de brinquedos acessível, livros à mão também.
Eu sempre achei linda a proposta de um quarto assim, mas só vim conhecê-la melhor depois que Vinícius nasceu. Então, tínhamos montado um quarto tradicional com berço e tal. Desde os primeiros dias preferimos fazer  cama compartilhada, então usamos muito pouco o berço. De qualquer forma, ele foi importante na preparação psicológica durante a gravidez. Ter um quarto tradicional certamente me ajudou a processar a informação de que em breve teríamos um bebê em casa. :)
o antes

o antes…

O quarto montessoriano de Vini :)

e o depois!

Aproveitei que ontem eu estava animada e inspirada para organizar o novo quarto de Vinícius. Com objetos simples acho que consegui dar um ar lúdico e leve ao quartinho dele, que ainda não serve para ele dormir, mas servirá para brincar, com certeza. :)

O colchão foi para o chão. Pensei em usar pallets, mas deixei esse detalhe para a próxima fase quando ele passar a dormir no próprio quarto (e aí faremos outra mudança! ^^)

um dos melhores achados: animaizinhos de origami iluminados

um dos melhores achados: animaizinhos de origami iluminados

Ao lado do colchão um tapete lindo e colorido comprado no mercado de artesanato da cidade, um espelho comprado no supermercado e uma moldura de passarinho em mdf que era todo branco, mas a inspiração bateu e eu pintei em degradê ontem mesmo.

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Para os quadrinhos da parede usei papel de scrapbook, colei ilustrações e mandei emoldurar com madeira de demolição, ficaram lindos e baratinhos!

in love total com esses quadrinhos

in love total com esses quadrinhos

Ao lado do quadro com o “carimbo” da placenta que nutriu e desenvolveu meu bebê, um filtro dos sonhos feito por um amigo nosso:

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Em outra parede os banquinhos de lápis que estão no quarto desde a sua “primeira versão” agora servem de apoio para os dedoches de circo que eu comprei e os de animais em crochê ganhados da tia Natxi. É onde também ficam os mini-livros do Pequeno Príncipe, presente da tia Best e o de Pensamentos de Che Guevara.

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o mini-livro de Che foi presente do papai, para que nunca haja dúvidas de qual direção seguir! rsrs

Se eu fosse seguir à risca a orientação do método Montessori os quadros e enfeites da parede estariam mais baixos, na altura do olhar da criança, pois a intenção é que ela sinta e perceba que as coisas estão ao seu alcance. Mas como eu só conheci o método depois que estava tudo furadinho na parede, permanece assim. Quando ele começar a ficar em pé, se apoiando em algo, vou colocar barras na parede e aí tentar trazer, ou melhor, incluir umas decorações na altura dele também.

Por enquanto fica apenas o tapete no chão com o espelho ao lado e as caixas de brinquedo e livros acessíveis (em outro post pretendo falar mais sobre os brinquedos e atividades sensoriais para bebês e crianças).

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caixote e cachepô de plástico comprados no supermercado servem para organizar os livros e brinquedos

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Sei que em breve ele aproveitará muito mais esse espaço. Enquanto isso, fico suspeitando que montei o quarto mais pra mim do que pra ele… rsrsrs

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Espero que tenham gostado. Qualquer dúvida terei prazer em responder nos comentários. :)

 

 

 

 

6 meses de amamentação exclusiva!

6 meses de amamentação :)

6 meses de amamentação :)

Essa semana Vinícius completou 6 meses de vida.

E assim também completamos 6 meses de amamentação exclusiva (para fins de felicidade materna, vou deliberadamente subtrair da conta as 3 semanas que ele tomou leite artificial – por necessidade – rsrsrsrs).

Faço questão de deixar registrado aqui minha alegria e orgulho por termos conseguido e por um motivo bem simples: não é frescura não.

Dia desses li esse post ótimo sobre como a sociedade lida com a amamentação.

1 mês

1 mês

Todos concordam que o leite materno é o melhor alimento para o bebê, mas poucos, muito poucos, apoiam a amamentação de fato. Quer ver?

Qual o sentido de se presentear a mãe/bebê com mamadeiras e chupetas, quando se sabe que o uso de bicos artificiais atrapalha amamentação e quando se espera que o bebê seja amamentado no seio até os 6 meses exclusivamente?

Se concordamos que o leite materno é o alimento mais completo por que quando o bebê chora duvidamos que ele esteja bem alimentado? Por que perpetuamos o mito do leite fraco, do leite que não sustenta? Por que reprimimos as mães que querem dar colo ao bebê? Por que alimentar em livre demanda é sinônimo de criança “mimada”, “mal acostumada”?

Aos 2 meses: dormindo juntinhos para estimular a produção de leite e também porque é uma delícia. :)

Aos 2 meses: dormindo juntinhos para estimular a produção de leite e também porque é uma delícia. :)

Por que insistimos em oferecer e aconselhar as mães a dar água, leite artificial, chá e sucos antes dos 6 meses? Por que consideramos que é besteira iniciar essa introdução de alimentos após os 6 meses? Por que acreditamos que o bebê ficará mais satisfeito com qualquer coisa que seja além do leite do peito?

E a resposta não é difícil de imaginar: porque não confiamos plenamente na capacidade de nutrir que a mãe possui.

E como poderíamos com o bombardeio constante da publicidade dos leite artificiais? Das orientações patrocinadas nos consultórios de pediatria?

No texto que mencionei a autora faz uma reflexão muito interessante e que vale a pena ser lida!

Essa dúvida que ronda a amamentação reflete-se em números: apenas 41% dos bebês são amamentados exclusivamente até os 6 meses de vida. 

Se pensarmos que o leite é o alimento nutricionalmente ideal, que está sempre disponível, que é econômico, que alimenta, previne e cura, que não é só alimento, mas contato, carinho, vínculo… é difícil acreditar que menos da metade das mulheres continuem a amamentar seus filhos até os 6 meses.

Para as mães que quiseram amamentar, mas não conseguiram, não se sintam culpadas. A culpa não é sua, é de todos nós, pois existe uma pressão social que condena a mulher que amamenta, sobretudo em público. Seios que amamentam são nojentos, “fedem” a leite, é animal, grotesco. Quem nunca ouviu um comentário incômodo acerca da amamentação?

Há quem sexualize o aleitamento, quem argumente que o filho ficará muito ligado a mãe e que isso atrapalhará seu desenvolvimento psicológico. Ao meu ver, tudo isso é só mais uma forma de castração da mulher, mais uma forma que nossa sociedade machista encontra de condenar e inferiorizar uma fonte NATURAL de prazer para as mulheres.

Grudinho bom!

Grudinho bom na hora de dormir.

meu gordo lindo!
meu gordo lindo!
Meu coração se desmancha em mil pedacinhos cada vez que esse gordinho pega a minha mãe enquanto mama, enquanto adormece...

Meu coração se desmancha em mil pedacinhos cada vez que esse gordinho pega a minha mãe enquanto mama, enquanto adormece…

O carinho mais gostoso que existe!

eu gosto de tirar fotos com o celular enquanto amamento para registrar o tanto de carinho e amor que eu vejo dos detalhes, da mãozinha dele sobre a minha, dos pés apoiados na minha perna, do olharzinho que ele faz. Dois olhos é pouco para registrar tanta ternura!

Aliás, tudo o que concerne ao natural, fisiológico, está historicamente equiparado ao entendimento do que é feminino. A dicotomia feminino/masculino reserva para os homens a tecnologia, a racionalidade, a ação. E para as mulheres o outro lado. E o outro lado é sempre inferior, deve ser evitado, visto com desprezo.

E já que eu misturei amamentação com feminismo, deixo aqui uma sugestão de leitura maravilhosa para tod@s: Teorias Feministas e A Filosofia do Homem, que pode ser lido em pdf aqui.

Que cada dia mais possamos refletir, nas nossas pequenas vitórias pessoais, como o sistema através da linguagem, dos conselhos bem intencionados, das práticas nunca questionadas, apenas procura perpetuar ideias e conceitos sexistas, que servem apenas para dominar psicologicamente o prazer e a felicidade de ser mulher em seus multifacetados aspectos.

 

amo!

amo!

Desse lado de cá seguimos com a amamentação, felizes pelos 6 meses vencidos, fortes e confiantes na vida saudável que estamos tentando trilhar. Mesmo tendo enfrentado muitos problemas no início, como já foi relatado aqui, não amamentar nunca foi uma opção na minha cabeça. Nunca me imaginei não amamentando meu filho, pois para mim, é muito natural fazê-lo, instintivo, algo que sempre soou como certo.

Apenas fico feliz de ver que o tempo realizou o que eu já sabia.

para quem não acredita na força do leite materno tái o o meu gordinho lindo das bochechas rosadas!

para quem não acredita na força do leite materno tái o o meu gordinho lindo das bochechas rosadas!

 

E para finalizar esse post uma foto que acabei de ver no Facebook:

Carlos González, pediatra e autor de livros maravilhosos! :)

Carlos González, pediatra e autor de livros maravilhosos! :)