a África em mim

Antes eu tinha um tremendo preconceito contra o candomblé. Desses que muita gente tem. E também tinha medo. Morria de medo só de passar em frente a uma casa de produtos para macumba. Ave Cruz! Preciso nem me alongar, pois sei que muita gente me entende. rsrs

culto

Até que um dia, num encontro de mulheres, reunidas na praia, algumas começaram a cantar louvores pros Orixás e eu parei ouvindo aquelas músicas, prestando atenção nas letras que falavam de amor, de beleza, das águas, das flores, do mar… e aquelas músicas me trouxeram paz e eu pensei: como pode uma coisa tão linda dessas ser algo ruim ou que me dê medo?
 E quando eu voltei para a minha casa, decidida em conhecer mais o candomblé, conversei com uma amiga que estava iniciando na umbanda e me surpreendi com as coisas que ela me falou: da festa e a da alegria na celebração dos orixás e que os orixás são deuses e humanos, que cada uma refletem personalidades humanas… que são verdadeiros arquétipos. E por esse motivo, quando comecei a me aprofundar no assunto, ouvindo as músicas, lendo a respeito, rompendo meu preconceito e meus medos, fui encontrando paz e felicidade nesse espaço, nessa forma de encarar a espiritualidade e que eu desconhecia.
Fui ao terreiro (que eu julgava ser um grande quintal a céu aberto onde corriam galinhas pretas! tamanha a ignorância!) e pedi pra mãe de santo jogar os búzios para me dizer quem são meus orixás. Oxum me guia, Ogum vai à minha frente e Iansã me protege atrás. E sabendo que essas três forças me acompanham mergulhei num autoconhecimento profundo, num autoreconhecimento, na verdade.
mamãe oxum

mamãe oxum

Eu, que sempre maldisse meu jeito “meigo” e as vezes “passivo” de ser, vi  em mim a doçura de Oxum, mãe das águas doces, e passei a bem dizer a doçura que aflora em mim e chega no outro através dos dons dessa deusa.
E passei a perceber também o quanto as pessoas se referiam a mim como uma pessoa doce e cada vez que eu ouvia isso, em minha mente, agradecia e referenciava a Oxum.
Por outro lado, e para minha surpresa, Ogum e Iansã, que são personalidades fortes, orixás de luta e guerra estão comigo e pensando nisso parei para observar que na minha vida, e apesar do que eu chamava de passividade, sempre fui aguerrida para abrir meus caminhos e bancar minhas escolhas, seja como for. Estou lá na luta, na coragem que a força desses orixás me dão… e é motivo de orgulho, para mim, estar ao lado deles, ser guiada por eles.
Quem já me viu com raiva, cega de fúria, sabe que como mamãe Oyá eu faço cair trovão e tempestade! 😉 hehehehehe
mamãe Iansã

Iansã

pai Ogum

 Ogum

O primeiro candomblé que eu fui foi mágico de tão lindo! Fiquei sentada olhando aquelas pessoas andarem em círculo, vestidas de branco, na pele a ancestralidade marcava, os atabaques estalando a a batucada e aquelas vozes cantando e louvando animadamente em iorubá. Pisquei o olho e num relance era como se eu estivesse vendo os negros da escravidão, ao redor de uma fogueira, procurando alento e alegria naqueles cantos, tentando reproduzir um pouco de suas origens, matando as saudades de suas terras, curando as feridas no coração e na carne que aquela extração selvagem lhes trouxera. Tive compaixão por aquelas almas que não conheci, mas que estão no meu sangue, na minha descendência, certamente. E é por eles, pela resistência deles, que todo dia eu me provoco a romper um pouco mais da minha ignorância, do meu preconceito ridículo e tento me aproximar e conhecer mais a cultura dos negros no Brasil.
Fiz esse post na esperança de que toque algum coração, para quem queira desmistificar essa religião de matriz africana e tão nossa!
Vamos viver na paz do amor de Deus. Axé!
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