andar em Campina

 

quando eu tinha  de 18 anos e muitos cabelos na cabeça

quando eu tinha de 18 anos e muitos cabelos na cabeça

Ontem fui ao centro da cidade comprar algumas coisas e ao retornar para casa, pelo caminho percorrido milhões de vezes, uma brisa quase fria encheu meu coração de saudade. Fechei os olhos marejados e me transportei mentalmente para o tempo do colégio quando eu fazia este mesmo caminho diariamente. Sob aquele sol de meio-dia, o bafo quente do ar alternava uma brisa agradável vez ou outra, e eu voltava para casa agarrada ao meu fichário, que sempre tinha um livro dentro e era recheado dos bilhetinhos que trocávamos durante as aulas. Voltava com fome, os olhos ardendo de sono. Mas quando eu dobrava a esquina da 13 de Maio e entrava na Frei Caneca, a sensação era de paz, de alívio…

Lembro das vezes que envolvida pelo calor e suor do meio-dia, olhava a rua, avistava minha casa no final e me sentia feliz.  Lembrei com carinho dos meus amigos, das tardes que passávamos lá em casa, da vez que andamos com Arthur Felipe vendado pelo centro da cidade (para comemorar seu aniversário). Dos banhos de chuva no meio da rua que eu tomava feliz e liberta pela água que encharcava. Das vezes que eu saía andando sem destino à tarde, e nos meus devaneios românticos, parava numa praça e lia algumas páginas de um livro. Que saudades desse tempo!

Andar pelas ruas de Campina é um prazer inexplicável, que – sei – muitos campinenses entenderão.

Quando eu precisava ir ao colégio à tarde, voltava por outro caminho. Do outro lado, descendo a ladeira eu avisto um serra, prédios, e um céu quase sempre azul ou cinza pálido, o entardecer de Campina. A brisa fria. O silêncio ou o trânsito que compõem a trilha dessa caminhada.
Ontem eu chorei de saudade. 

  • Juliana Sallenave

    Quando entro em qualquer papelaria, assim nessa época de volta às aulas, me dá esse nó de saudade na garganta. Desse tempo que não volta mais, e de como eu nem me dava conta de que não voltaria. Hoje tenho certeza de que estou na minha melhor fase da vida (até agora) – mais madura, mais perto das coisas que acredito de verdade: tenho uma casa repleta de aconchego, cheia de gugu-dadás, de amor, e além de tudo amig@s, e olha que cheguei a pensar que não faria mais melhores amig@s depois do secundário… De tudo a grande diferença é que agora entendi de verdade que tudo isso também passa. E talvez me dê um nó de saudade na garganta quando vir uma grávida tendo a barriga beijada pelo marido, ou outra coisa que me faça lembrar como estou sendo feliz esses dias.

    Gostei muito do post, Heloá, e me vi um pouco nele. Mas de uniforme do Colégio Militar.

    • heloaaires

      Também me vi no seu comentário, Ju! E sobretudo eu achava, naquela época, que jamais teria melhores amigas (mulheres). E agora estou rodeada de mulheres lindas, cuja amizade enche minha vida de alegria. Que bom que a vida dá muitas voltas! 😉

  • Maria Rosa Araújo Maia

    Loa, eu consegui mesmo sentir um pouquinho de cada detalhe descrito ai. O coração se apertou aqui dentro.