Relato da doula: parto de Danielly e Matheus, nascimento de Raul

Conheci Dani através de um grupo de apoio ao parto normal no Facebook. Ela procurava indicações de médicos que atendessem ao parto em Campina Grande e logo começamos a conversar e procurar as opções (bem escassas! rsrs)

Ela é pernambucana e mora em Santa Cruz, e como em sua cidade não há uma boa estrutura hospitalar, o plano era ter o bebê em Campina Grande, ficando então, hospedada na casa dos sogros.

Dani foi a primeira pessoa que me contratou como doula e por isso lhe tenho um grande carinho e gratidão.
A afinidade entre nós foi acontecendo facilmente… Nos conhecemos pessoalmente em novembro de 2013 no primeiro encontro da Gestar e Maternar em Campina Grande e prosseguimos com nossa conversa online. Enquanto isso, Dani seguia buscando um obstetra que atendesse seu desejo de um parto natural, sem intervenções.
Em janeiro de 2014 nos encontramos em João Pessoa para fazermos as fotos de Raul. Foi uma tarde muito agradável. Eu e Flávio saímos da sessão com aquela impressão de que neles víamos a nós mesmo meses atrás: um casal jovem, primeiro filho, em busca de um parto, com sede de informação.
Essa afinidade com os casais que tenho acompanhado é algo que me dá certeza desse destino de ser doula. Agradeço a Deus por todas essas belas amizades que tem surgido em minha vida!
Dani e Matheus à espera de Raul.

Dani e Matheus à espera de Raul.

Enfim Dani encontrou uma obstetra que topou seu parto e lhe transmitiu a segurança necessária. Respiramos aliviadas! Agora era só esperar a hora de Raul nascer.
Na quarta-feira, dia 12 de março, Dani me liga pela manhã dizendo que estava sentindo contrações dolorosas  a ponto de nem conseguir descansar, mas ainda sem ritmo. Conversamos sobre a iminência do parto e frisei que ela procurasse descansar e que me ligasse se sentisse qualquer mudança nessa dinâmica, enquanto isso eu arrumaria minha bagagem para viajar. Assim que desliguei, liguei para Maria Rosa, que estaria conosco como doula também. Avisei da iminência do parto.
Ao longo do dia nenhuma mudança. No fim da tarde Dani resolveu fazer uma avaliação com a obstetra e no toque o colo estava alto e grosso. Resolvi ficar por João Pessoa, pois estava esperando outro parto que poderia acontecer a qualquer momento também. Na madrugada Matheus me liga dizendo que ela estava vomitando muito, sem conseguir dormir e as contrações estavam mais regulares. Pedi a ele que procurasse fazê-la descansar para o trabalho de parto que, sim, estava começando.
Ao raiar o dia, organizei minhas coisas, super animada com mais esse parto. A semana já estava bem ocitocinada para mim que havia fotografado um parto na terça! Tinha combinado com uma diarista nova uma faxina praquele dia, esperei ela chegar e peguei a estrada.
Na saída Matheus me liga e fala que as contrações estavam mais ou menos de 5 em 5 minutos, era 09:30 mais ou menos. Liguei para Maria Rosa e pedi que ela fosse ao encontro deles. Nisso, Juliana me liga dizendo que o outro parto que eu acompanharia como doula estava dando sinais claros de início. Haja emoção!!!
Como Dani estava com uma dinâmica mais avançada, segui viagem confiando que daria tempo de atender aos dois partos. (E sim, deu! Uhuu!)
A decoração do quartinho de Raul foi feita pela mamãe habilidosa.

A decoração do quartinho de Raul foi feita pela mamãe habilidosa.

Cheguei na casa às 11:30 mais ou menos. Ela estava cansada das noites mal dormidas, não conseguia comer e o que comia vomitava. Me preocupei com seu estado físico. Tentamos fazê-la descansar, mas as dores eram muito fortes.
Maria Rosa veio me dizer que as contrações não tinham um padrão de tempo e duração e que Dani se preocupava com isso. Lembro que assim que entrei no quarto Dani me olhou e disse: “mulher, tu acha que isso é trabalho de parto mesmo?” Achei graça. “É sim, Dani!” Conversamos e resolvemos não cronometrar as contrações então para que ela se entregasse ao processo.
A mão da mãe ansiava diminuir as dores da filha.

A mão da mãe ansiava diminuir as dores da filha.

E assim seguimos. Nos preocupávamos em encontrar uma posição que lhe trouxesse alívio, mas sozinha em pé ou em quatro apoios é que Dani se sentia melhor. Percebíamos que ela ainda se preocupava com coisas externas e alheias ao trabalho de parto, na dor as vezes desesperava. Ficamos a sós com ela, conversamos… mas só quando Matheus deu a boa notícia de que conseguira uma folga no trabalho para ficar até  segunda-feira em Campina, é que ela relaxou e finalmente o trabalho de parto engrenou. E engrenou mesmo! As dores vinham fortes, ela se desinibiu para vocalizar. Fomos para o chuveiro, a água quente nas costas agora lhe trazia alívio. Tentamos fazê-la comer o que quer que fosse. Dani havia me falado que queria ir para o hospital com a dilatação bastante avançada, pois queria passar o menor tempo possível lá, então combinamos de irmos para o consultório da médica avaliar o colo às 16h. Eu queria tardar ao máximo esse momento, mas desde 14:00 ela me perguntava se já não estava na hora. Dizia que queria ir para o hospital e eu lhe dizia: você quer que Raul nasça. Calma, não confunda!
Oferecemos açaí na esperança de repor as energias de Dani.

Oferecemos açaí na esperança de repor as energias de Dani.

Passamos um tempo no chuveiro, todos entregues ao trabalho de parto.

Passamos um tempo no chuveiro, todos entregues ao trabalho de parto.

Eram quase 15h quando ela disse: estou sentindo vontade de fazer força! Me assustei. Olhei para Maria Rosa e ela sugeriu a Dani que mudasse um pouco a posição. A vontade passou. Resolvi cronometrar as contrações então, pois a médica me perguntaria a dinâmica. E ficamos mais meia hora cronometrando. As contrações vinham a cada 2 minutos. E depois a cada 3. E depois a cada 6.
O estado físico e emocional de Dani me falava que o trabalho de parto estava avançado, não podia me orientar apenas pelas contrações. Quando começou a sair pedaços maiores do tampão, ela ficou impaciente novamente e pediu para irmos pro hospital.
Saímos do chuveiro, ela se vestiu, sogra e mãe organizaram o que tinha para levar. A chuva começou a cair. Saímos no meu carro, eu, ela Matheus e Maria Rosa. A família ia depois em outro carro. Era 16h e seguíamos para o consultório da médica.
Entre toalhas e vestidos as contrações continuavam.

Entre toalhas e vestidos as contrações continuavam.

O apoio constante de Matheus trazia tranquilidade à Dani.

O apoio constante de Matheus trazia tranquilidade à Dani.

A chuva que caia para embalar a chegada de Raul.

A chuva que caia para embalar a chegada de Raul.

No banco de trás o casal trocava beijos e carícias, eu e Marrosa comentávamos felizes aquela cena até que na sequencia Dani dá um grito desesperador. Estar sentada lhe trazia grande desconforto, mas era algo mais.
e tudo ali era só amor.

e tudo ali era só amor.

No meu pensamento apenas o pedido de que a dilatação estivesse no final, pois pelo cansaço ela ficaria muito desapontada se ainda houvesse um caminho a percorrer.
Chegando ao consultório, a médica, que estava atendendo uma paciente, ao ouvir um grito de Dani durante uma contração pediu licença para examiná-la e nos veio com a boa notícia: dilatação completa!
Festejamos no consultório e saímos a pé para o hospital que fica na calçada em frente ao consultório.
Chegando ao hospital foi aquele alvoroço de enfermeiras que não sabiam o que fazer.
Dani subiu para o bloco cirúrgico, a médica já havia ligado para o hospital pedindo para prepará-la para o parto.
A enfermeira do bloco permitia apenas a entrada de um acompanhante, Matheus foi se trocar e enquanto isso eu argumentava com ela e com a secretária que era preciso que eu entrasse. Quando a médica chegou pedi que ela autorizasse minha entrada e foi então que a enfermeira cedeu, ainda pedi que Maria Rosa entrasse também,  mas ela foi irredutível.
Me troquei às pressas e quando chegamos na sala Dani estava deitada de costas  e as enfermeiras fazendo o acesso na veia.
Tal como um super herói que detém o vilão no momento exato, a obstetra ao se deparar com a cena disparou: “Não! Parem com isso! Isso é só um parto!”
“Isso é só um parto”. Que frase mais certeira!
Desapontadas as enfermeiras saíram da sala. Me senti orgulhosa de estar ali vencendo uma árdua batalha contra o sistema. Enfim acabou-se o pandemônio hospitalar e agora um parto estava acontecendo com toda a sua tranquilidade merecida.
Em um canto da sala a obstetra posicionou a banqueta de parto, Matheus serviu de apoio para as costas de Dani. A médica sentou-se no chão em frente ao casal, colocou Norah Jones como trilha sonora, apagou as luzes, deixou a sala na penumbra e ficou ali aguardando Raul nascer. Eu fotografava.
Em instantes vieram os puxos, Dani usava toda a sua força, o cabelinho de Raul começou a aparecer. Pedimos a Dani para tocar, mostramos a chegada de Raul com um espelhinho para o pai que ficou extasiado.
Mais alguns puxos e às 16:30 Raul nasceu. Foi para o colo de sua mãe, ficamos todos maravilhados e emocionados com a simplicidade e magnitude do que acabara de acontecer: era apenas um parto, mas parou o tempo por alguns minutos.
Bem vindo, Raul!

Bem vindo, Raul!

Eles haviam conseguido. Os dias de incerteza, a equipe médica que não se achava, a espera longe de casa, a angústia, um trabalho de parto intenso, o cansaço, o sistema hospitalar amarrado a protocolos e regras, o destino que estava fadado a não realizar os desejos do coração. Nada disso importava mais, eles haviam conseguido contra todas as previsões. Raul, Dani e Matheus fizeram acontecer naquela maternidade algo raro: a naturalidade de um parto.
 A obstetra esperou uns 20 minutos até o cordão parar de pulsar para então Matheus cortá-lo.
O pai cortou o cordão umbilical.

O pai cortou o cordão umbilical.

Enquanto a mãe recebia alguns pontinhos, Raul seguiu para o berçário com o pai e logo todos se encontraram no quarto com os avós que esperavam ansiosos. Ainda caía uma chuvinha fina enquanto eu e Marrosa voltávamos para casa, ocitocinadas e em êxtase.
As avós corujas!

As avós corujas,

A mãe realizada.

a mãe realizada,

O pai babão!

o pai babão,

e o bebê mais lindo do pedaço!

e o bebê mais lindo do pedaço!

Dani e Matheus: pessoas queridas, de corações lindos e sinceros, lhes desejo toda a felicidade, resgate e iluminação que a vinda de um filho possa representar. Vocês batalharam tanto por esse momento, acreditaram, pesistiram. Conseguiram.
Agradeço pela confiança, pelo apoio e amizade.  Que Raul cresça forte e saudável nesse ninho de amor!
Marrosa: Obrigada por estar conosco nesse momento. Você é maravilhosa em dedicação e gentileza!
Dona Sávia e Dona Fátima: grata pela confiança! E principalmente pela compreensão, apesar da ansiedade que tomaram conta daquelas horas.
Fotos por: Heloá Aires.
Vedada reprodução sem autorização. Todos os direitos reservados.

Relato da Doula: Parto de Adrieny e Emmanuel, nascimento de Amélie

[Antes de iniciar este relato quero agradecer à Adrieny e Emmanuel pela confiança. Por me escolherem para estar presente no dia mais importante de suas vidas. Pela amizade, carinho e por tudo o que pude vivenciar neste parto maravilhoso.]

Conheci Adrieny por intermédio de Juliana quando ela estava com 6 meses de gestação. Marcamos um encontro na casa de Ju, nos conhecemos pessoalmente e partir dali fomos conversando sobre meus serviços como doula.

Eu já tinha fechado contrato com outras pessoas, mas pelas datas prováveis dos partos (DPP) o de Adrieny seria a minha primeira doulagem. Antes, eu acompanharia o parto de May, mas como fotógrafa.

Eu e ela temos um jeito parecido. Um pouco reservadas no início, fomos nos conhecendo aos pouquinhos… A gestação de Amélie foi tranquila, sem intercorrências. Adrieny é o tipo de mulher decidida, que sabe o que quer e corre atrás: leu livros sobre parto e maternagem, se informou, frequentou as rodas de gestantes, trocou de médica várias vezes até encontrar uma que lhe passasse a segurança necessária para o parto tão desejado.

No caminho que ela trilhava para realizar esse desejo eu via a mim mesma, há mais de 1 ano atrás, quando  iniciei meu caminho de descoberta e resgate que culminou no parto de Vinícius.

Quando ela completou 37 semanas, nos reunimos em sua casa para tirar dúvidas quanto ao trabalho de parto, passei algumas orientações. Pintamos sua barriga (eu desenhei e o marido pintou) e foi uma tarde realmente muito agradável. Lembro com muito carinho desse momento, pois neste dia pude descobrir outras afinidades com o casal. Novas e lindas amizades floresceram em minha vida.

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Pintura de barriga. Amélie envolta em céu, noite, dia e natureza.

O tempo foi passando com calma e tranquilidade, perto de completar 40 semanas, Adrieny começou a sentir contrações cada dia mais intensas, mas ainda bem espaçadas. O final da gestação que já é marcado de ansiedade e espera, começa a virar cobrança dos amigos e familiares à medida que o tempo vai passando. Na véspera de completar 41 semanas, ela foi para uma consulta de rotina com a GO. Fez mais alguns exames e um toque que revelou o colo desfavorável para o início do trabalho de parto, apesar das contrações das semanas anteriores. Nesta mesma noite, insisti para que ela fosse até a casa de Juliana onde estávamos reunidas com outras gestantes, para que nesse clima descontraído, ela pudesse relaxar um pouco, desabafar, encontrar com outras mulheres que estavam na mesma espera e ansiedade que ela… Conversamos e fizemos o chá da Naoli novamente (ela tinha tomado  também na noite anterior), era quarta-feira de noite.

Na quinta de manhã (dia 20 de fevereiro) ela me liga dizendo que passou a noite em claro, com contrações ritmadas. Ainda estavam um pouco espaçadas, então o telefonema era para me deixar de sobreaviso. Duas horas depois ela liga, deixando transparecer na voz um certo cansaço e impaciência, pedindo que eu fosse lá. Eu estava comprando umas frutas no mercado, corri para casa, abasteci Vini com leitinho, peguei minha bolsa de doula e fui. No meio do caminho falei para ela aplicar compressas quentes, pois as dores se concentravam apenas no pé da barriga.

Quando eu cheguei (12:45 mais ou menos) Emmanuel estava com ela, firme e fiel na sua função de “maridoulo”, passando à ferro os panos da compressa. Eu me preocupava em fazê-la descansar entre as contrações, pois sabia que não havia dormido nada na noite anterior. Fiz um escalda pés para que ela relaxasse e sugeri uma posição que facilitasse esse descanso. Permanecemos assim por um tempo, apenas aplicando as compressas. As contrações vinham a cada 2 minutos e duravam 50 segundos, mas percebi que a fase ativa do trabalho de parto havia apenas começado. No meio da tarde ela conseguiu relaxar e até cochilar entre uma contração e outra. Tentei segurá-la em casa o máximo possível, mas ela começava a se aperrear com as dores e o cansaço. Resolvemos então que ela tomaria um banho e iríamos no consultório da GO avaliar o colo.

O início do trabalho de parto. O carinho e cuidado de Emmanuel a ajudavam a relaxar.

O início do trabalho de parto. O carinho e cuidado de Emmanuel a ajudavam a relaxar.

Fui dirigindo e no banco de atrás Adrieny era amparada por Emmanuel, estava claro que o suporte emocional que ela precisava era apenas a presença dele. Peguei um caminho mais longo, o que certamente a deixou irritada, mas com isso eu esperava ganhar um tempinho a mais. Temia que a avaliação da GO detectasse um colo com pouca dilatação, pois isto certamente seria um balde de água fria em todos. Na metade do caminho seu comportamento demonstrava que o trabalho de parto estava sim avançado, e com isso me tranquilizei, certa que saímos de casa no momento certo, era 16h.

O colo, que no dia anterior estava alto e grosso, estava completamente apagado e dilatado em 7 cm, o que deixou a GO (que estava apostando mais alguns dias de gestação) bastante surpresa. Este é um ótimo exemplo de como os processos que regem o parto são misteriosos. Respiramos aliviados e felizes rumo ao hospital!

Esperamos um pouco na entrada, subimos para o quarto. Avisei a Juliana e a Rafaela que estávamos ali, e que se elas quisessem poderiam se juntar a nós. Por volta de 18:30h Rafa chegou. A bolsa havia estourado às 18h e liguei para a GO avisando. Continuamos revezando as posições. Ela sempre encontrava alívio nas compressas (lembrei de levar o ferro para o hospital! Rsrs) e na banqueta. Quando a GO chegou e avaliou, a dilatação estava quase completa, mas a bebê no primeiro plano ainda.

A cumplicidade e sintonia entre o casal.

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momentos de relaxamento entre as contrações

Adrieny e Emmanuel ficaram um tempo no chuveiro, luz apagada… era linda a cumplicidade entre eles. Quando saíram, chamamos a GO, pois Adrieny dizia que sentia vontade de fazer força. Avaliação: bebê no 2º plano. Sugerimos, então, que ela se agachasse e puxasse um lençol quando sentisse vontade de fazer força. A força dos seus braços era algo incrível! Estava ali já exausta, sem dormir, mas determinada, focada em trazer Amélie. Dizia que estava cansada, lhe dávamos água e chocolate para repor as energias, mas em nenhum momento reclamou da dor. Emmanuel era seu apoio, seu encosto, o carinho e a fonte onde ela renovava suas forças.

puxar um lençol lhe ajudava a lidar com as contrações do expulsivo

puxar um lençol lhe ajudava a lidar com as contrações do expulsivo

o apoio das mãos da doula, uma cena recorrente nos partos.

o apoio das mãos da doula, uma cena recorrente nos partos.

Juliana chegou por volta de 20:00h (eu acho! a essa altura eu já havia perdido a noção do tempo). E continuamos ali, nos revezando para encorajá-la, torcendo que Amélie descesse. A ausculta do coração da bebê era perfeita todo o tempo. Talvez seu modo de dizer que estava vindo lentamente mesmo, no seu tempo. Adrieny sentia-se confortável quando ficava de cócoras ou em quatro apoios e entre forças e puxos, o expulsivo durou 2:30h.

Quando a cabecinha de Amélie se insinuou me emocionei ao ver que Emmanuel tinha lágrimas nos olhos. Fotografei. Enfim, ela nasceria. Adrieny tocou a cabeça da filha, brincamos dizendo que os cabelos de Amélie eram longos. Ela sorriu. Em meio a todo o cansaço e exaustão Adrieny conseguia sorrir das besteiras que falávamos… A GO perguntou qual o cantor preferido de Adrieny e achou no Youtube a trilha perfeita para o nascimento: o disco Into the Wild, de Eddie Vader.

Emmanuel emocionado com iminência do nascimento. Adrieny sorria ao tocar a cabecinha da bebê.

Emoção com a iminência do parto.

Amélie, escaladora como seus pais, atravessou longamente o canal do parto, ia e vinha. Despediu-se de cada milímetro de sua mãe por dentro. Adrieny encontrou sua posição para parir, a cabeça então coroou no períneo e saiu lentamente. O pai cortou o cordão umbilical. Amélie nasceu bem às 22:30 aproximadamente, precisou ser aspirada com a pêra, recebeu os cuidados médicos e foi para os braços da mãe, onde dormiu a noite toda.

bienvenue, Amélie!

bienvenue, Amélie!

Uma cena foi especialmente marcante para mim: Adrieny, em quatro apoios, apoiava as mãos na cama e jogava o corpo para frente durante a contração. Eu estava entre ela e o armário do quarto. De frente para seu rosto. Ela estava de olhos fechados numa expressão insondável. Eu não saberia descrever sua expressão concentrada de dor, cansaço, determinação e algo mais. O algo – mistério e encantamento – que envolve uma mulher parindo. Naquele átimo de segundo lembrei da crônica de Ric Jones, e imaginei que sentir-se como vidro era algo assim. Eu estava ali em sua frente, mas não importava. Tive medo que ela abrisse os olhos e encontrasse os meus. O impacto daquele olhar me marcaria certamente. Mas não foi preciso que ela abrisse. Estar ali, no pequeno espaço entre um armário e uma mulher parindo, foi algo surreal, de grande força e sutileza. Uma cena única e inesquecível.

muito amor em uma foto só

muito amor em uma foto só

E esta foi minha estreia como doula. Emocionante e inesquecível como todas as estreias, e cheia de aprendizado. Talvez o maior de todos: entender que não basta informação, não basta empoderamento, tudo isso é necessário frente ao modelo obstétrico atual, mas (e nova referência a Ric Jones) o parto acontece mesmo entre as orelhas, nas curvas da memória, nas emoções mais recônditas, acontece apesar do medo, apesar de nós mesmo. Duas horas e meia de expulsivo me relembraram o que eu tinha vivido na própria pele, que o parto acontece apesar de nós, superando nossos limites, sublimando nossa bagagem emocional. Forçando ao extremo nossos músculos, tecidos e pele numa explosão de força, amor e renovação.

*Fotos por Heloá Aires  para Ateliê Fotográfico. Todos os direitos reservados.

**Receita para o chá da Naoli aqui.

PS.: Obrigada a Juliana por ter nos apresentado e por estar presente no parto e obrigada a Rafa por também estar presente no parto e ainda ter levado um sanduíche de queijo para mim! rsrsrs Essa rede de mulheres que se apoiam em prol de outras mulheres é coisa linda de se ver! :****

andar em Campina

 

quando eu tinha  de 18 anos e muitos cabelos na cabeça

quando eu tinha de 18 anos e muitos cabelos na cabeça

Ontem fui ao centro da cidade comprar algumas coisas e ao retornar para casa, pelo caminho percorrido milhões de vezes, uma brisa quase fria encheu meu coração de saudade. Fechei os olhos marejados e me transportei mentalmente para o tempo do colégio quando eu fazia este mesmo caminho diariamente. Sob aquele sol de meio-dia, o bafo quente do ar alternava uma brisa agradável vez ou outra, e eu voltava para casa agarrada ao meu fichário, que sempre tinha um livro dentro e era recheado dos bilhetinhos que trocávamos durante as aulas. Voltava com fome, os olhos ardendo de sono. Mas quando eu dobrava a esquina da 13 de Maio e entrava na Frei Caneca, a sensação era de paz, de alívio…

Lembro das vezes que envolvida pelo calor e suor do meio-dia, olhava a rua, avistava minha casa no final e me sentia feliz.  Lembrei com carinho dos meus amigos, das tardes que passávamos lá em casa, da vez que andamos com Arthur Felipe vendado pelo centro da cidade (para comemorar seu aniversário). Dos banhos de chuva no meio da rua que eu tomava feliz e liberta pela água que encharcava. Das vezes que eu saía andando sem destino à tarde, e nos meus devaneios românticos, parava numa praça e lia algumas páginas de um livro. Que saudades desse tempo!

Andar pelas ruas de Campina é um prazer inexplicável, que – sei – muitos campinenses entenderão.

Quando eu precisava ir ao colégio à tarde, voltava por outro caminho. Do outro lado, descendo a ladeira eu avisto um serra, prédios, e um céu quase sempre azul ou cinza pálido, o entardecer de Campina. A brisa fria. O silêncio ou o trânsito que compõem a trilha dessa caminhada.
Ontem eu chorei de saudade. 

Brinquedos

Aproveitando um post anterior sobre o método Montessori, nesse quero falar mais dos brinquedos e atividades sensoriais.

É importante ressaltar que Maria Montessori dizia que o aprendizado da criança passa pelos sentidos. Assim, segundo o método, é importante oferecer brinquedos que permitam uma variedade de texturas, materiais e temperatura. Antes mesmo de conhecer essas ideias, eu já me preocupava em comprar brinquedos de madeira, tecido e outras opções mais criativas.Tudo foi se encaixando e o quarto que planejei para ele no começo, fugindo da tendência provençal e clássica, caiu como uma luva aos conceitos que tento praticar no dia-a-dia: estímulos sensoriais que permitam descobrir e testar o mundo em diversas cores e texturas (isso inclusive me levou a uma introdução alimentar diferenciada, mas isso é assunto para outro post!).

brinquedos de madeira :)

brinquedos de madeira que comprei pensando inicialmente em decorar o quarto de Vinícius com eles. :)

Evito brinquedos exagerados (aqueles super barulhentos, coloridos e brilhantes) e dou preferências a formas simples e diferenciadas. É difícil fugir do plástico, mas quando existe outra opção essa geralmente é minha escolha.

Também gosto de construir brinquedos com o que tenho em casa. Um que foi uma distração por muito tempo aqui foi esse tubinho com contas  e botões:

tubo com continhas

tubo com continhas

 

Nesse site tem uma compilação de 56 ideias de brincadeiras sensoriais para crianças. Muito legal!

A caixa sensorial pode ser feita também sem a gelatina, usando grãos ou areia, por exemplo. A ideia é uma busca pelo tesouro, sejam brinquedos imersos em gelatina, água colorida, grãos, areia… desde que o material usado seja adequado para a idade da criança. Nesse link (de onde tirei a foto abaixo) tem outras ideias:

caixa sensorial 2

Caixa sensorial com grãos.

Outra atividade legal é pintar brinquedos de madeira. Comprei esses pensando também na decoração do quarto dele, mas acabei não usando. Estão guardados para fazermos essa atividade quando ele estiver maior:

uma atividade interessante e divertida para bebês maiores

uma atividade interessante e divertida para bebês maiores

E também a clássica massinha que pode ser feita em casa. Aqui tem uma receita bem legal.

massinha-caseira

fonte: http://dicasmiudas.com.br

 

Outra coisa que eu adoro são os “quiet books”. Esses são livros de tecido com atividades que exigem coordenação motora e atenção. Para minha surpresa ganhei um num sorteio que rolou no Facebook tempos atrás. Lindo demais!!!

Vinícius ainda é novo para esse tipo de brincadeira, por isso o brinquedo está bem guardado esperando a hora de ser usado. O painel de atividades vem numa bolsinha e é tudo muito bem feito, quem gostou pode encomendar esse e outros modelos pela loja da Mater Originalis, com entrega para todo Brasil.

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A bolsa vem com 3 atividades costuradas em feltro

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Trabalha cores e formas

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Trabalha coordenação motora e concentração ao abotoar e desabotoar as florzinhas

E para quem gosta de por a mão na massa mesmo (como eu!) e sabe se aventurar pelas linhas e agulhas (eu bem que tento!), pela internet afora tem muitas ideias de quiet books, que variam de acordo com a faixa etária da criança e diversos temas.

Esse site é um paraíso de tanta lindeza! Com moldes, instruções e tudo o mais:

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Fonte: http://www.imagineourlife.com

Fonte: http://www.imagineourlife.com

Fonte: http://www.imagineourlife.com

 

Nesse link você pode encontrar mais ideias de atividades sensoriais.

Acho que com esse post deu para ter uma ideia do tanto de coisa legal que podemos fazer com nossos filhos. Brincadeiras que estimulam a criatividade, imaginação, concentração, coordenação motora. Faz bagunça? Sim. Suja muito? Provavelmente. Mas desligue a TV, tire uma horinha por semana e aproveite esse tempinho para mostrar ao seu filho que você está ali disponível para brincar com ele e mergulhar no seu mundo. Aproveite a oportunidade, e se reinvente, redescubra o mundo… faça as pazes com a sua infância e se deixe levar pela curiosidade e perspectiva de uma criança. :)

Vem, 2014!

E lá se foi  2013!

O ano em que conheci o amor, a força, a natureza. O ano mais intenso, complexo, difícil, simples, fácil e natural.
Em 2013 me descobri diferente, e também me reconheci. Igual a mim mesma, como eu sempre fui ou quisera ser.

Meu peito explodiu de amor tantas vezes, chorei de angústia em outras. A vida nunca foi tão bela e importante. As vezes tenho medo de vivê-la só por gastá-la. Como se eu pudesse economizar a vida para viver mais! rsrs

Viver eternamente acariciada pelos dedos tenros do meu gordinho.

A solução então é essa: viver, viver, viver!

Sou grata por esse ano, por essa vida, por esse amor. Pelos dias difíceis que existem, claro. Pela capacidade de superá-los. Por toda boa vontade, por tudo que recebi, pela oportunidade de retornar. Obrigada!

Tanta coisa mudou dentro e fora de mim… o nascimento de Vinícius me trouxe lindas amizades que conheci nas rodas de gestantes, me trouxe projetos como a Gestar e Maternar de Campina Grande, me trouxe novas ocupações (doula e fotógrafa! ^^), me trouxe antigos-novos desejos na área acadêmica. Me trouxe para perto de mim, dos meus valores, do que eu acredito…

Que venha 2014 e suas surpresas. Que sejamos apenas capazes de amar. Que tenhamos saúde para viver. Vontade para realizar.

Que nossasinceridade seja abençoada e que nossas falhas sejam perdoadas. Que sejamos felizes!

 

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O que é a doula?

A doula é uma acompanhante de parto capacitada. Durante a gestação ela vai conversar com a gestante, indicar leituras e vídeos que possam ajudar a mulher na construção e empoderamento quanto ao próprio parto. Durante o trabalho de parto e parto a doula oferece alívio não farmacológico da dor, apoio emocional, físico, encorajamento e incentivo. No pós-parto a doula pode ajudar com dicas de amamentação e cuidados com o recém-nascido.

Que novidade é essa? Isso é moda?

Não mesmo. O papel da doula sempre existiu. Antes da medicalização do parto, no tempo das nossas avós e bisavós, os partos aconteciam em casa, eram um evento familiar. As mulheres experientes da família ajudavam a parturiente dando apoio emocional e físico e também auxiliavam as parteiras nos pormenores (ferver água, buscar panos limpos, etc). As filhas mais velhas da parturiente ou outras parentes se encarregavam de cuidar das crianças. Depois do parto, elas permaneciam na casa da mulher para ajudá-la nos afazeres domésticos e nos cuidados com o recém-nascido no período do resguardo. No início do século XX com a transferência do parto para o ambiente hospitalar, este deixou de ser um evento partilhado entre pessoas íntimas da família para ser apenas mais um procedimento médico. A comunidade de mulheres que ajudava no parto é substituída, quando muito, pela figura da enfermeira. Desde então a mulher tem sido deixada à própria sorte no momento do parto, sendo-lhe negada muitas vezes a presença do(a) companheiro(a).

a presença das mulheres na cena do parto é algo comum na história da humanidade

a presença das mulheres na cena do parto é algo comum na história da humanidade. Fonte: google images

 

O que a doula faz?

A doula oferece alívio não- farmacológico da dor, para isso, ela pode utilizar técnicas de massagens, aromaterapia, exercícios na bola suíça, dentre outras opções. A doula também funciona como suporte emocional e psicológico para a mulher, procurando construir, dentro das possibilidades, um ambiente favorável para o melhor desfecho do parto. Estudos comprovam que a presença da doula:

– reduz a duração do trabalho de parto

– reduz a necessidade de analgesia ou anestesia

– os nascimentos naturais são mais frequentes quando a mulher conta com a presença de uma doula

– a presença contínua de uma doula reduz a incidência de cesarianas

Efeitos psicológicos e a longo prazo em uma mulher que recebeu suporte de uma doula:

Por ajudar na construção de um ambiente favorável ao parto, aumentando as chances de uma experiência positiva, a presença da doula está relacionada com melhores níveis de bem estar no pós-parto, sucesso na amamentação e bom desenvolvimento no vínculo mãe-bebê nos primeiros dias. A mulher no puerpério, se encontra em um período sensível, os cuidados que ela e seu filho receberam durante o parto tem impacto imediato na sua autoestima , na relação com seu/sua companheiro(a), com seu bem estar e nos cuidados com o recém-nascido.

eu e minha doula durante o trabalho de parto em casa

eu e minha doula durante o trabalho de parto em casa (antes de ir para o hospital)

O que a doula faz o marido ou outro acompanhante não poderiam fazer?

Teoricamente sim. Mas a doula é uma profissional capacitada para aquilo. Outro ponto a se levar em consideração é que pessoas muito próximas da parturiente estarão emocionalmente muito envolvidas com a cena de parto, alguns podem ficar nervosos, tensos, ansiosos e pela confusão dos próprios sentimentos não conseguirão dar o apoio emocional que a parturiente necessita. A doula por outro lado é capaz de lidar e entender de forma profissional os sentimentos da mulher e de forma geral saberá usar de artifícios para  controlar as emoções das demais pessoas envolvidas na cena do parto. Possibilitando, assim, que o ambiente do parto seja o mais tranquilo e aconchegante possível para que a mulher se sinta segura. A presença de uma doula permite que os maridos e acompanhantes curtam o parto, se envolvam e participarem emocionalmente, deixando de lado outras preocupações.

doula 4

a doula é uma profissional capacitada para acompanhar partos. Fonte: google images

O que a doula não faz?

A doula não realiza procedimentos técnicos e médicos, como: toques vaginas e ausculta do coração do bebê. Ela também não decide o tipo de parto e nem as intervenções a serem feitas (ou não) na mãe e no bebê. Tudo isto deve estar previamente acordado entre a doula e sua cliente e registrado em um plano de parto.

Nesse link você pode ler mais sobre as funções da doula:

http://www.doulas.com.br/oque.php

http://www.despertardoparto.com.br/doula—o-que-eacute.html

 

Vale a pena contratar uma doula? Faz diferença?

Sim, sim, sim! Faz muita diferença. Não sou a favor do endeusamento da figura da doula, afinal o parto é da mulher e ela é a protagonista daquele momento. Mas, falando por experiência própria: contratar uma doula foi um passo importante na minha preparação para o parto, pois saber da sua presença me deu confiança e tranquilidade para me entregar ao processo do parto e parir. Além de todo o aspecto técnico do alívio das dores, eu sabia que ela seria meus olhos, ouvidos e boca, enquanto eu estava ali na Partolândia. Ela sabia como eu queria vivenciar o parto, ela me compreendia, estava ali para me ajudar a escalar a montanha do parto e ver a vista lá de cima. Deu segurança a mim e a meu marido, pois com o apoio dela o parto foi uma experiência incrível para nós dois.

em todas as fotos do parto eu estou com uma feição exausta e as demais pessoas com semblantes tranquilos. É muito interessante isso! Nessa minha doula tá até rindo... rsrs

em todas as fotos do parto eu estou com uma feição exausta e as demais pessoas com semblantes tranquilos. É muito interessante isso! Nessa minha doula tá até rindo… rsrs

 

O Quarto Montessoriano de Vinícius

O método Montessori é aplicado em diversas áreas da educação infantil e se utiliza de várias estratégias. Dentre outros princípios, ele prega a autonomia da criança, uma educação sensorial e a construção de um espaço onde ela possa desenvolver e explorar suas habilidades naturais, através do estímulo e da curiosidade.
Os quartos montessorianos não possuem berço. A cama fica no chão para que a criança possa subir e descer de acordo com sua vontade. Um espaço de atividades com espelho permite que ela observe seus movimentos e tenha maior consciência corporal. Uma caixa de brinquedos acessível, livros à mão também.
Eu sempre achei linda a proposta de um quarto assim, mas só vim conhecê-la melhor depois que Vinícius nasceu. Então, tínhamos montado um quarto tradicional com berço e tal. Desde os primeiros dias preferimos fazer  cama compartilhada, então usamos muito pouco o berço. De qualquer forma, ele foi importante na preparação psicológica durante a gravidez. Ter um quarto tradicional certamente me ajudou a processar a informação de que em breve teríamos um bebê em casa. :)
o antes

o antes…

O quarto montessoriano de Vini :)

e o depois!

Aproveitei que ontem eu estava animada e inspirada para organizar o novo quarto de Vinícius. Com objetos simples acho que consegui dar um ar lúdico e leve ao quartinho dele, que ainda não serve para ele dormir, mas servirá para brincar, com certeza. :)

O colchão foi para o chão. Pensei em usar pallets, mas deixei esse detalhe para a próxima fase quando ele passar a dormir no próprio quarto (e aí faremos outra mudança! ^^)

um dos melhores achados: animaizinhos de origami iluminados

um dos melhores achados: animaizinhos de origami iluminados

Ao lado do colchão um tapete lindo e colorido comprado no mercado de artesanato da cidade, um espelho comprado no supermercado e uma moldura de passarinho em mdf que era todo branco, mas a inspiração bateu e eu pintei em degradê ontem mesmo.

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Para os quadrinhos da parede usei papel de scrapbook, colei ilustrações e mandei emoldurar com madeira de demolição, ficaram lindos e baratinhos!

in love total com esses quadrinhos

in love total com esses quadrinhos

Ao lado do quadro com o “carimbo” da placenta que nutriu e desenvolveu meu bebê, um filtro dos sonhos feito por um amigo nosso:

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Em outra parede os banquinhos de lápis que estão no quarto desde a sua “primeira versão” agora servem de apoio para os dedoches de circo que eu comprei e os de animais em crochê ganhados da tia Natxi. É onde também ficam os mini-livros do Pequeno Príncipe, presente da tia Best e o de Pensamentos de Che Guevara.

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o mini-livro de Che foi presente do papai, para que nunca haja dúvidas de qual direção seguir! rsrs

Se eu fosse seguir à risca a orientação do método Montessori os quadros e enfeites da parede estariam mais baixos, na altura do olhar da criança, pois a intenção é que ela sinta e perceba que as coisas estão ao seu alcance. Mas como eu só conheci o método depois que estava tudo furadinho na parede, permanece assim. Quando ele começar a ficar em pé, se apoiando em algo, vou colocar barras na parede e aí tentar trazer, ou melhor, incluir umas decorações na altura dele também.

Por enquanto fica apenas o tapete no chão com o espelho ao lado e as caixas de brinquedo e livros acessíveis (em outro post pretendo falar mais sobre os brinquedos e atividades sensoriais para bebês e crianças).

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caixote e cachepô de plástico comprados no supermercado servem para organizar os livros e brinquedos

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Sei que em breve ele aproveitará muito mais esse espaço. Enquanto isso, fico suspeitando que montei o quarto mais pra mim do que pra ele… rsrsrs

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Espero que tenham gostado. Qualquer dúvida terei prazer em responder nos comentários. :)

 

 

 

 

6 meses de amamentação exclusiva!

6 meses de amamentação :)

6 meses de amamentação :)

Essa semana Vinícius completou 6 meses de vida.

E assim também completamos 6 meses de amamentação exclusiva (para fins de felicidade materna, vou deliberadamente subtrair da conta as 3 semanas que ele tomou leite artificial – por necessidade – rsrsrsrs).

Faço questão de deixar registrado aqui minha alegria e orgulho por termos conseguido e por um motivo bem simples: não é frescura não.

Dia desses li esse post ótimo sobre como a sociedade lida com a amamentação.

1 mês

1 mês

Todos concordam que o leite materno é o melhor alimento para o bebê, mas poucos, muito poucos, apoiam a amamentação de fato. Quer ver?

Qual o sentido de se presentear a mãe/bebê com mamadeiras e chupetas, quando se sabe que o uso de bicos artificiais atrapalha amamentação e quando se espera que o bebê seja amamentado no seio até os 6 meses exclusivamente?

Se concordamos que o leite materno é o alimento mais completo por que quando o bebê chora duvidamos que ele esteja bem alimentado? Por que perpetuamos o mito do leite fraco, do leite que não sustenta? Por que reprimimos as mães que querem dar colo ao bebê? Por que alimentar em livre demanda é sinônimo de criança “mimada”, “mal acostumada”?

Aos 2 meses: dormindo juntinhos para estimular a produção de leite e também porque é uma delícia. :)

Aos 2 meses: dormindo juntinhos para estimular a produção de leite e também porque é uma delícia. :)

Por que insistimos em oferecer e aconselhar as mães a dar água, leite artificial, chá e sucos antes dos 6 meses? Por que consideramos que é besteira iniciar essa introdução de alimentos após os 6 meses? Por que acreditamos que o bebê ficará mais satisfeito com qualquer coisa que seja além do leite do peito?

E a resposta não é difícil de imaginar: porque não confiamos plenamente na capacidade de nutrir que a mãe possui.

E como poderíamos com o bombardeio constante da publicidade dos leite artificiais? Das orientações patrocinadas nos consultórios de pediatria?

No texto que mencionei a autora faz uma reflexão muito interessante e que vale a pena ser lida!

Essa dúvida que ronda a amamentação reflete-se em números: apenas 41% dos bebês são amamentados exclusivamente até os 6 meses de vida. 

Se pensarmos que o leite é o alimento nutricionalmente ideal, que está sempre disponível, que é econômico, que alimenta, previne e cura, que não é só alimento, mas contato, carinho, vínculo… é difícil acreditar que menos da metade das mulheres continuem a amamentar seus filhos até os 6 meses.

Para as mães que quiseram amamentar, mas não conseguiram, não se sintam culpadas. A culpa não é sua, é de todos nós, pois existe uma pressão social que condena a mulher que amamenta, sobretudo em público. Seios que amamentam são nojentos, “fedem” a leite, é animal, grotesco. Quem nunca ouviu um comentário incômodo acerca da amamentação?

Há quem sexualize o aleitamento, quem argumente que o filho ficará muito ligado a mãe e que isso atrapalhará seu desenvolvimento psicológico. Ao meu ver, tudo isso é só mais uma forma de castração da mulher, mais uma forma que nossa sociedade machista encontra de condenar e inferiorizar uma fonte NATURAL de prazer para as mulheres.

Grudinho bom!

Grudinho bom na hora de dormir.

meu gordo lindo!
meu gordo lindo!
Meu coração se desmancha em mil pedacinhos cada vez que esse gordinho pega a minha mãe enquanto mama, enquanto adormece...

Meu coração se desmancha em mil pedacinhos cada vez que esse gordinho pega a minha mãe enquanto mama, enquanto adormece…

O carinho mais gostoso que existe!

eu gosto de tirar fotos com o celular enquanto amamento para registrar o tanto de carinho e amor que eu vejo dos detalhes, da mãozinha dele sobre a minha, dos pés apoiados na minha perna, do olharzinho que ele faz. Dois olhos é pouco para registrar tanta ternura!

Aliás, tudo o que concerne ao natural, fisiológico, está historicamente equiparado ao entendimento do que é feminino. A dicotomia feminino/masculino reserva para os homens a tecnologia, a racionalidade, a ação. E para as mulheres o outro lado. E o outro lado é sempre inferior, deve ser evitado, visto com desprezo.

E já que eu misturei amamentação com feminismo, deixo aqui uma sugestão de leitura maravilhosa para tod@s: Teorias Feministas e A Filosofia do Homem, que pode ser lido em pdf aqui.

Que cada dia mais possamos refletir, nas nossas pequenas vitórias pessoais, como o sistema através da linguagem, dos conselhos bem intencionados, das práticas nunca questionadas, apenas procura perpetuar ideias e conceitos sexistas, que servem apenas para dominar psicologicamente o prazer e a felicidade de ser mulher em seus multifacetados aspectos.

 

amo!

amo!

Desse lado de cá seguimos com a amamentação, felizes pelos 6 meses vencidos, fortes e confiantes na vida saudável que estamos tentando trilhar. Mesmo tendo enfrentado muitos problemas no início, como já foi relatado aqui, não amamentar nunca foi uma opção na minha cabeça. Nunca me imaginei não amamentando meu filho, pois para mim, é muito natural fazê-lo, instintivo, algo que sempre soou como certo.

Apenas fico feliz de ver que o tempo realizou o que eu já sabia.

para quem não acredita na força do leite materno tái o o meu gordinho lindo das bochechas rosadas!

para quem não acredita na força do leite materno tái o o meu gordinho lindo das bochechas rosadas!

 

E para finalizar esse post uma foto que acabei de ver no Facebook:

Carlos González, pediatra e autor de livros maravilhosos! :)

Carlos González, pediatra e autor de livros maravilhosos! :)

Fraldas Ecológicas

Algumas amigas me perguntaram sobre as fraldas ecológicas que uso em Vinícius e a resposta vem em forma de post:
Uma cliente da Papel em Flor (a Amábile) me apresentou as fraldinhas de pano quando eu ainda estava grávida. Por causa da variedade de estampas e das promessas de economia e conforto para o bebê, me apaixonei logo.

Comecei a usá-las quando Vinícius tinha uns 2 meses. Desde os 3 usamos em tempo integral, mas por praticidade ainda uso fralda descartável quando vou para Campina Grande ou quando vamos sair (e ainda assim dependendo do lugar!).

Ah, mas dá para usar fralda de pano fora de casa tranquilamente!

– O que são as fraldas ecológicas?

Eu costumo dizer que são uma versão modernas da clássica “fralda enxuta”. As modernas são feitas de um tecido especial que deixam a sensação de seco para o bebê mesmo depois do xixi. Existem vários modelos, mas o mais comum é o modelo pocket. Essa é uma fralda com um bolso onde se coloca um absorvente que também é de tecido. Tudo é reutilizável e pode ser lavado na máquina.

Os argumentos à favor do uso das fraldas ecológicas incluem menor impacto ambiental (comparando ao lixo produzido pelas fraldas descartáveis), menor exposição dos bebês à agentes químicos (que são abundantes nas fraldas descartáveis), maior conforto para o bebê (as descartáveis são puro plástico), desfralde mais cedo, além do fator econômico, inclusive para pomadas de assaduras.
Ah, e também estilo! hahahaha É porque é uma delícia escolher qual estampa usar e combinar as roupinhas. =)
Fazendo as contas...

Fazendo as contas…

– Quantas fraldas são necessárias?
Eu tenho 21 fraldas. Essa quantidade me permite usá-las em tempo integral e lavá-las a cada 3 dias no máximo. Lógico que a aquisição das fraldas requer um gasto mínimo de 500,00 reais mais ou menos. Mas: se você compra uma fralda tamanho único ela pode ser usada desde recém nascido até o desfralde. Então em termos econômicos é uma boa ideia! Basta pensar que comprando 2 pacotes de fralda descartáveis por mês você gastaria em torno de 120,00 reais e que vão diretamente para o lixo. As fraldas de pano podem ser reaproveitadas em outras crianças, vendidas ou trocadas depois.
Existe no Facebook um grupo para trocas e venda de fraldas de pano usadas. Eu comprei 3 usadas e achei um ótimo investimento. Elas absorvem bem mais que as outras nacionais novas que comprei, por exemplo. Então ainda existe essa opção para quem quiser economizar no enxoval das fraldas. Se você quiser usá-las também pode fazer um chá de fralda de pano ou incluir as fraldinhas nas listas de chá de bebê. :)
Algumas fraldinhas da coleção de Vini. :)

Algumas fraldinhas da coleção de Vini. :)

Uma fralda pocket. Dentro do bolso coloquei um absorvente de bambu e um de microfibra.

Uma fralda pocket. Dentro do bolso coloquei um absorvente de bambu e um de microfibra.

A fralda pocket pode ser usada como capa. Com o absorvente por cima. Atenção: os de microfibra não devem entrar em contato com a pele do bebê!

A fralda pocket pode ser usada como capa. Com o absorvente por cima. Atenção: os de microfibra não devem entrar em contato com a pele do bebê!

– Como é a lavagem das fraldas?
A lavagem requer um cuidado especial, mas nada trabalhoso. É que não devemos usar muito sabão para lavar as fraldinhas, pois elas ficarão impermeabilizadas e assim acontecerão vazamentos. De qualquer forma, acredito que inevitavelmente, uma vez ou outra, elas vão impermeabilizar pelo contato com outros agentes até no processo de lavagem. Se isso acontecer, basta fazer uma lavagem com detergente de louça para que ele retire a gordura (da própria pele do bebê) que fica nas fraldas. Eu fiz isso recentemente e deu certo.
Depois da lavagem com detergente, enxaguei de novo e coloquei para secar.
Geralmente eu lavo as fraldas com as roupinhas: para o nível 4 da máquina coloco meia tampinha de sabão de coco líquido com enxague extra e ainda repito só o enxague mais uma vez.
As fraldas de xixi jogo diretamente na máquina. As de cocô eu tiro o excesso antes. (Eu não tiro o excesso logo após trocar a fralda, espero um pouquinho, pois o cocô mais ressecado fica mais fácil de tirar com uma escovinha… rs)
Se depois da lavagem ficar alguma manchinha na fralda tenha em mente que a fralda está limpa, mas manchada. Para tirar a mancha é só deixar pegar um solzinho. Funciona mesmo. O sol tira as manchas de cocô rapidinho! :)
Ah, e por causa do risco de impermeabilização não se deve usar pomadas de assaduras no bebê. Isso é outra economia! rsrsrs
Eu li em algum lugar que a indicação das pomadas é certa no uso das fraldas descartáveis porque aquele gel que elas possuem é que faz o bebê ficar assado. Como isso não existe nas fraldas de tecido, as mães podem ficar despreocupadas. Por aqui Vinícius nunca assou usando as fraldinhas de pano. ^^
– Para comprar as fraldas:
É preciso saber que existem vários modelos, marcas e materiais de fralda de pano.
As fraldas nacionais são lindas pelo design, as estampas e a modelagem é bem atraente e diferenciada. As chinesas são mais práticas, pois secam mais rápido, e absorvem melhor. Mas no quesito “estilo” saem em desvantagem.

Ainda assim, as chinesas são minhas preferidas.
Tenho algumas nacionais de marcas variadas. No começo elas funcionaram muito bem, mas logo começaram a apresentar vazamentos, não importa o que eu faça para evitá-los.
Das nacionais a que mais gosto é a Dipano. Comprei três fraldas Dipano usadas e foi um ótimo investimento, são tão absorventes que gosto usá-las à noite, para as 10h de sono de Vinícius.

Também adoro as chinesinhas. Até agora testei e aprovo as marcas: Coolababy e as fraldas de minky da Alva. Quase nunca vazam, secam super rápido e são bem lindinhas também!

Vini usa fraldinhas de pano desde os 2 meses de idade. :)

Na linha de cima fraldinhas nacionais. Na de baixo as chinesinhas.

Quanto aos absorventes tenho de algodão, microfibra (3 camadas) e de bambu (5 camadas). Eu uso mais os absorventes de bambu que possuem mais capacidade de absorção. E agora que o xixi dele está aumentando de volume, as vezes combino 1 de bambu com 1 de microfibra para a fralda noturna.

– Mais dicas:
No grupo do Facebook existe muita troca de informação, dicas e documentos explicando melhor cada tipo de fralda/absorvente.
No youtube tem vídeos explicativos.Eu gosto muito desse vídeo aqui, por exemplo.
– Onde comprar fraldas de pano?
Existe muitas lojas virtuais, principalmente pelo Facebook que vendem as fraldas. Aqui em João Pessoa, as fraldas podem ser compradas com o pessoal da Bumbum do Sertão. As meninas também ajudam e dão dicas no uso das fraldinhas.

Sou doula!

 

Do dia 03 ao dia 06 de outubro estive fazendo o curso de formação de doulas pelo GAMA.

O GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa) é pioneiro na capacitação de profissionais pela humanização do parto. Muita gente importante no cenário da humanização passou por lá e continua passando…

Agradeço ao meu marido por ter insistido que eu fizesse o curso (obrigada, amor!), pois além de uma oportunidade de capacitação, foi um momento de muitas reflexões para mim. Saí renovada e com energia para realizar muita coisa nova na minha vida.

Prática de massagens e toque

Prática de massagens e toque

Segundo dia de curso

Segundo dia de curso

Há alguns dias eu vinha conversando com Lisley sobre a ideia de montarmos uma roda de gestantes e mães lá em Campina Grande, pois sentimos essa ausência de informações e de apoio às mães por lá. Durante o curso, compartilhei minha ideia com Juliana e ela falou que se eu quisesse podia levar a Gestar e Maternar para lá. Achei ótimo! Então, o primeiro fruto desse curso é a “filial” Gestar e Maternar em Campina. Estamos conversando, sem pressa, para fazer tudo bonitinho e da melhor maneira possível, nos aguardem! ^^

Eu, Melânia Amorim e as facilitadoras da Gestar e Maternar.

Eu, Melânia Amorim e as facilitadoras da Gestar e Maternar.

 

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Ontem meu pai ficou me perguntando para que danado eu inventei de fazer esse curso, pois segundo ele, deveria estar estudando para concursos.

Isso foi um tema das minhas reflexões… cada vez que alguém me pergunta POR QUE eu faço origami, curso de cinema, curso de doula ou qualquer outra coisa ao invés de estudar para concurso, confesso que nunca tenho vontade de responder por que quem elabora esses questionamentos dificilmente entenderá que mais importante que estudar é aprender, conhecer.

E o aprendizado não deve estar focado em apenas 1 área de interesse. Tudo está interligado e se complementa numa enriquecedora experiência de aprendizado, de aprofundamento e consciência. A vida é tão imensa, tantas coisas bonitas e interessantes no mundo para eu reduzir meu tempo a códigos e teoria jurídica. Ah, eu não… não agora.

Sempre soube que eu sou muitas coisas, que eu posso fazer muitas. Deus me deu muitas habilidades e muitos interesses. Estive me desviando da minha essência, mas, no auge dos meus 25 anos, decidi: vou ser tudo que quero ser!

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Fotos: Cíntia Mapurunga