parto de maio

o grito dela emocionava.

o trabalho de parto vinha rápido, a galope, atropelando.
as vezes cedia o passo, mas continuava firme, intenso.
e aí, de repente começou a afirmar:
eu preciso.
eu preciso de algo.
de quê eu preciso?
…..
não sei. eu não sei de nada.
não sei a resposta, meu filho.
…..
as frases pareciam aleatórias… desavisados poderiam pensar que era delírio.
mas eu não,
eu sabia que elas vinham de um lugar muito profundo.
o significado estava além do que poderíamos entender em palavras.
era apenas sentir. e veio.
o sentimento bateu no peito e refletiu os olhos marejados.
era a beleza em si.
crua. nua.
era a condição humana revelando-se em fragilidade e força.
era o encontro inevitável de si mesmo, sem fugas, sem máscaras.
era apenas a verdade.
  • Adriano Aquino

    Heloá,
    Sempre que leio esse texto (já o li algumas vezes depois de maio) é impossível conter as lágrimas… De alegria, de gratidão, de um sentimento de ter sido abençoado. O papel de vocês (você e Ju) em nossa vida foi (e está sendo) de extrema importância. Gratidão… É como eu consigo resumir. Grande abraço.