Iniciando o método Montessori

Não sei bem como cheguei ao método Montessori.

No início ficamos um pouco hesitantes. Surgiram algumas dúvidas quanto  a esse método que prega a autonomia da criança (ficamos com medo do que essa autonomia poderia representar rsrsrs).

Mas à medida que eu ia lendo mais blogs de famílias que viviam o método eu fui me apaixonando. Confesso que fiquei encantada porque a criança que eu fui teria sido muito feliz sendo educada nesse método. Me identifiquei. Acredito que o encantamento veio mais de ver a prática de algumas famílias do que a teoria montessoriana em si. (Uma amiga ficou de mostrar uma visão contrária ao método, mas até lá seguimos encantados. hehehe)

A verdade é que toda vez que entro em um blog como o How We Montessori fico invejando a vida tão criativa e divertida daquelas crianças. hehehe Outro dia li no grupo Montessori para Mamães no Facebook uma postagem onde a mãe relatava uma brincadeira com a filha, inserida no contexto de educação cósmica. Ao ser questionada pela filha sobre os tempos pré-históricos, ela criou uma brincadeira onde a filha pudesse “vivenciar” a explicação. Construiu uma caverna com papel kraft, registrou no papel desenhos rupestres, moldou com argila utensílios… Bom, quando eu li isso pensei: “Uau!! Que massa isso!! Quem não queria aprender assim?”

Como eu sempre AMEI atividades manuais e criativas sempre pensei em realizar com meus filhos atividades assim, que exigissem criatividade e mão na massa. Mas eu não sabia que existia toda uma teoria voltada para a educação sensorial. Na verdade eu não fazia ideia que existia tanta coisa no mundo da maternidade… hehehe Desde que engravidei e comecei a pesquisar sobre o parto mais e mais assuntos foram (e vão!) surgindo. São tantos questionamentos… é tanta novidade, tantas leituras que eu gostaria de fazer outras que não posso deixar passar… enfim…  a maternagem ativa nos faz pensar fora da caixa. E antes de engravidar eu pensava que só existia essa maternagem padrão, tudo pronto dentro da caixa, comum em todas as famílias: dvd para entreter, papinha para alimentar, chupeta para acalmar, fralda para descartar… Estou adorando o outro lado, esse universo questionador da maternidade!

Assim, resolvi testar algumas ideias montessorianas. Ainda estou criando coragem para montar um quarto montessoriano de verdade, enquanto isso improvisei na sala mesmo um espaço para ele brincar:

Espaço montessoriano improvisado na sala

Espaço montessoriano improvisado na sala

 

Foi muito bonitinho quando coloquei ele no tapetinho e ele se viu no espelho… ficou se admirando um tempo, depois brincou com o móbile e ficou ali sozinho uns 20 minutos (qualquer mãe sabe que isso é um super tempo precioso!)

Primeiro dia no "espaço montessoriano"

Primeiro dia no “espaço montessoriano”

Adora brincar com a imagem no espelho.

Adora brincar com a imagem no espelho.

Para a idade dele, além desse espaço, o que dá para fazer são móbiles mais “cleans”, valorizando formas geométricas e cores primárias. O primeiro que fiz foi o móbile Gobbi, antes mesmo do espaço na sala. De início ele não se interessou muito, pois até então ele não se interessava por móbiles ou coisa do tipo. Mas um belo dia, enquanto almoçávamos, ele começou a olhar fixo para as peças do móbile e sem muita coordenação ficou tentar pegá-las. Quando conseguiu foi logo puxando para colocar na boca. Foi tão lindo ver essa evolução! Eu e Flávio ficamos achando que essa coisa móbile montessoriano funciona mesmo. hehehe

Inspirado no móbile Gobbi, mas feito com módulos Sonobe em origami.

Inspirado no móbile Gobbi, mas feito com módulos Sonobe em origami.

Resolvi testar o interesse dele por outros móbiles e para fazer um rodízio fiz também o móbile geométrico em cores primárias (esse é a junção de dois móbiles montessorianos). Usei cortadores de papel para esse.

Móbile geométrico em cores primárias

Móbile geométrico em cores primárias

Arrnacou os outros dois, só sobrou o amarelo.

Arrancou os outros dois, só sobrou o amarelo.

Também fiz móbiles com guizos e argolas de madeira, gostei muito de usar os guizos, mas só depois percebi o perigo que é! Pois os guizos podem sair do fio e o bebê acabar engolindo.

adorou essa argola com guizos, só depos percebi o perigo! rsrs

Adorou essa argola com guizos, só depois percebi o perigo! rsrs

A argola de madeira (sem os guizos) é um dos brinquedos preferidos.

A argola de madeira (sem os guizos) é um dos brinquedos preferidos.

Por fim, fiz o móbile arco-íris, todo de papel. Começou a desmanchar na boca de Vini, então desisti dele também. Mas como Vinícius gostou muito vou tentar fazê-lo de feltro. Quem quiser pegar mais dicas sobre os móbiles, nesse link (em inglês) tem vários modelos e por faixa etária.

 

Arco-íris de papel.

Arco-íris de papel.

Depois desse estímulo sensorial e visual, achamos que ele desenvolveu mais o tato e a coordenação motora que já são peculiares dessa idade. Tudo quer pegar, tocar, colocar na boca… nem o papai escapa:

Experimentando as texturas no rosto do papai.

Experimentando as texturas no rosto do papai!

 

Para saber mais sobre o método Montessori indico também o blog Lar Montessori.

– Ih, Vini, acho que a gente vai se divertir muito, viu! Te amo! :)

 

 

 

Relactação: como fazer

A relactação é recomendada para mães que desejam aumentar a produção de leite, mães adotivas que desejam amamentar ou para aquelas que interromperam a amamentação por algum motivo e querem retomá-la.

Esse é um passo a passo simples, qualquer dúvida vocês podem postar nos comentários que à medida do possível eu vou respondendo.

  • Para a relactação é preciso apenas:
– mamdeira
– sonda nº 4 ou 6 (compre várias, é mais fácil descartá-las a cada mamada do que tentar lavar).
A sonda é encontrada em lojas de equipamento médico-hospitalar. Pode ser a nasogástrica, uretal, traquel… tanto faz. O importante é retirar a pontinha que tem uns furinhos e também retirar o tubinho da outra extremidade:
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Você tira com a mão mesmo, antes de usar a sonda porque elas vem estéreis e o uso de tesoura ou faca pode contaminar a sonda.
(Claro que devemos lavar as mãos antes de começar o processo!)
  • VALE A PENA COMPRAR O MAMATUTTI?
Existe no mercado kits de relactação. Aqui em João Pessoa eu encontrei o MamaTutti.
O kit consiste em um copo com uma tampa onde você colocará a sonda. Só vem 1 sonda no kit.
(De qualquer forma você terá que comprar outras. A sonda do MamaTutti é nº 6).
Comprei, mas sinceramente usei muito mais as mamadeiras. O resultado é o mesmo! E eu achei mais fácil apoiar as mamadeiras no corpo do que o copo do kit.
Então se você quiser economizar, as mamadeiras funcionam bem.
  • COMEÇANDO A RELACTAÇÃO:
Prepare a mamadeira com a quantidade usual de leite. Coloque a sonda.
Posicione o bebê como se fosse amamentá-lo no seio. Coloque a ponta da sonda ao lado do mamilo e segure com uma das mãos, quando o bebê for abocanhar o seio coloque dentro da sua boquinha o mamilo junto com a sonda.
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No começo pode parecer complicado esses movimentos, mas você vai descobrindo um jeito que tornará o processo mais fácil.
Deixe o bebê sugar.
Sempre use a sonda para dar o leite, pois a sucção do bebê é o estímulo que seu corpo precisa para voltar a produzir leite. Não desista!
A relactação é um ótimo processo para aumentar a produção de leite e estabelecer a amamentação.
  • DICAS:
-A posição da mamadeira:
Quanto mais abaixo do nível da boca do bebê, mais esforço ele terá de fazer para o leite subir. Isso é bom pois treina uma sucção mais forte e o acostuma com o fluxo lento do leite que sairá do peito. Por outro lado, quanto mais próximo do nível da boca do bebê o leite será sugado mais facilmente. Então tente manter mamadeira na altura da sua cintura.
– O fluxo de leite:
Quando você perceber que seu bebê está tomando rapidamente o leite da mamdeira ou que o leite está escorrendo pela boquinha é importante começar a dificultar o fluxo para que ele se acostume com a dinâmica do leite do peito.
Você pode apertar a sonda com a unha  e assim interromper o fluxo por alguns segundos. Faça isso algumas vezes durante a mamada.
Outra coisa que pode ser feita é dar um nó na sonda, não é necessário apertá-lo. Um nó frouxo mesmo.
No meu caso, eu cheguei a dar 3 nós para conseguir um fluxo mais lento. A sucção do meu bebê é muito boa e logo ele conseguia superar o “obstáculo”.
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– A quantidade de leite:
Se o seu bebê soltar o peito e sobrar leite na mamadeira não se preocupe. Ele se alimenta do leite artificial e também do leite materno que aos poucos começa a ser produzido. Na próxima mamadeira faça a quantidade que ele tomou na anterior até que a quantidade de leite artificial seja mínima e você possa finalmente dar adeus à mamadeira.
No meu caso fizemos assim:
Ele tomava 120ml. Passamos uns 5  dias preparando mamadeira com essa quantidade. Logo eu percebi que ele deixava 30ml na mamadeira. A partir de então eu comecei a preparar 90ml. Na maioria das vezes ele ficava satisfeito com esses 90ml, mas as vezes ele chorava. Eu tentava entretê-lo e se o choro passava eu não acrescentava mais leite. Se ele continuasse chorando, claramente com fome, eu colocava mais um pouco. Com mais alguns dias eu percebia que ele tomava 60ml. Passei alguns dias dando então apenas 60ml. E logo desses 60 ele tomava apenas 30ml. A partir desse momento comecei a pensar em suspender a relactação e voltar ao peito totalmente, pois desses 30ml as vezes ele tomava só 10.
Como a produção ainda estava se consolidando houve momentos de insegurança em que eu ainda ofereci o leite com a sonda, principalmente na mamada antes de dormir. Mas à medida que o leite sobrava mesmo na mamadeira eu resolvi que ele teria que se acostumar só com o seio novamente.
Passamos uns 3 dias de adaptação (eu e ele). Ele teve que se acostumar a mamar só no peito e eu a voltar a amamentar em livre demanda.
As vezes ele chorava 1 hora depois de mamar e eu pensava que não era fome (acostumada com a mamadeira), mas aí eu passei a oferecer o peito sempre que ele chorava e rápido nos readaptamos à essa nova dinâmica.
  • Entendendo a dinâmica mamadeira x peito:
Na mamadeira o bebê toma uma grande quantidade rapidamente porque o fluxo é mais fácil e contínuo. Ele só sentirá fome daqui há 3 horas mais ou menos porque o leite artificial é mais difícil de ser digerido.
Já quando o bebê mama no peito não podemos precisar exatamente quanto ele ingeriu em cada mamada, ele pode ingerir 120 ml em uma e 60 ml em outra, por exemplo. Como o leite materno é leve e de fácil digestão ele sentirá fome em um intervalo menor. Ofereça o peito sempre que seu bebê apresentar sinais de fome, isso é a livre demanda.
Chegando ao final do processo de relactação, não se preocupe se ele se mostrar um pouco impaciente ou chorão. Existe uma fase de transição, afinal os hábitos mudam e o bebê sente essa diferença.
Meu filho ficou 3 dias sem fazer cocô e quando voltou a fazer era bem pouquinho. Também começou a aparecer uma mancha laranja nas fraldas de xixi. Pesquisei no Google e li que essa manchinha laranja era normal e resultado de uma urina concentrada, talvez um indício de desidratação. Então resolvi ingerir muita água para que ele também consumisse mais água (achismo de mãe, tá gente?). Sei que deu certo, a mancha laranja não apareceu mais e uma vez que aumentei o consumo de líquidos (mais de 4 litros de água por dia) minha produção finalmente engatou. Para a produção aumentar é importante deixar o bebê sugar o máximo possível, deixar “fazer o peito de chupeta”, etc. O contato físico é fundamental nesse processo… dormir juntinho, tomar banho juntos, muito colo. Assim o seu cérebro vai receber todas as informações e estímulos possíveis para entender que é preciso produzir mais leite para o bebê.
Eu contei com a ajuda de uma fonoaudióloga (Manuela Leitão) que me deu essas dicas e com uma consultora em amamentação que me deu muito apoio (Ana Edite Espínola). Nada substitui o acompanhamento de profissionais.
Blogs que consultei: