Dificuldades na amentação, acessórios para amamentar: do it e don’t

 

Quem leu meu relato de amamentação pode ter uma ideia de que dei OK em quase todos os itens da lista “problemas para amamentar”… Na época, eu pesquisava muita coisa na internet (nosso querido Dr. Google) atrás de relatos de pessoas que tivessem passado pelo mesmo. Achei pouca coisa nesse sentido.

tão bom quanto parece!

:)

Para quem estiver enfrentando dificuldade para amamentar, de início, aconselho a dar uma lida no artigo “Problemas comuns na lactação e seus manejos” aqui . Esse artigo está no Grupo Virtual de Amamentação no Facebook ( é uma ótima dica participar, pois as meninas ajudam e tiram dúvidas de cada caso) e está de acordo com os novos entendimentos, da medicina baseada em evidências, para o tratamento dos problemas da lactação.
Então vamos lá!
  • Ingurgitamento:
O ingurgitamento é causado pelo excesso de leite. O seio fica muito pesado e rígido. Pode vir acompanhado de dores no seio ou na axila, vermelhidão e febre. Se a mulher não tomar providências logo o leite pode “empedrar” (ele vai ficando mais viscoso) e o quadro pode evoluir para uma mastite.
Mas, calma! Muitas mães passam por pelo menos uma situação de ingurgitamento na vida. rs
Principalmente quando a produção não se regulou e seu corpo ainda está descobrindo qual a quantidade de leite ideal para o seu bebê.
Então, as recomendações clássicas para aliviar o ingurgitamento são:  fazer compressa morna e ordenhar o excesso imediatamente após a compressa, além de colocar o bebê para mamar. Outra variação: tomar um banho morno e ordenhar no chuveiro.
Isso não deu certo comigo!
No meu caso, o excesso era demais (desculpe a redundância, mas a situação era redundante mesmo! rs) quanto mais eu tentava ordenhar, mais leite era produzido. Não conseguia tirar com a bombinha elétrica porque os mamilos estavam muito feridos e a bombinha esgarça ainda mais o bico. Mal conseguia tirar manualmente sozinha. Dos 3 bancos de leite que eu frequentava em apenas 1 deles a enfermeira se empenhou em tirar uma boa quantidade de leite, nos outros, elas viam que era leite demais, tiravam 20 ml e diziam: “continue fazendo isso em casa porque esse seio não vai secar agora não”.
Só que a ordenha que eu realizava em mim era muito menos eficiente que a delas… e aí estava instalado o pandemônio do peito que não secava nunca!
Aliás, secava. E só secava quando eu colocava meu filho para mamar. Não existe sucção mais eficiente que a do bebê.
Doía muito por causa dos mamilos feridos, o ingurgitamento deixava a pele do meu seio bem fininha e sensível, mas era o que dava certo.
A verdade é que pra mim era uma faca de dois gumes: ao passo que secava o seio, a sucção do bebê estimulava ainda mais a produção de leite. Uma dica que eu aprendi (com  fisioterapeutas) para frear a produção de leite foi fazer compressa frias logo após a mamada e também durante a mamada, por exemplo: enquanto o bebê mama no seio direito, no esquerdo você deixa uma fraldinha com água gelada fazendo a compressa.
  • Mastite
O tratamento padrão da mastite é  antibiótico  e anti-inflamatórios. Procure um médico se você, além do ingurgitamento, apresentar febre alta, vermelhidão nas mamas, calafrios, mal estar… As vezes a mastite é causada por um ducto entupido, então é bom mudar as posições das mamadas, esse vídeo aqui é bem explicativo.
Depois que se instala a mastite o importante é esvaziar a mama para que aquele leite acumulado não infeccione, pois o quadro pode evoluir para um abscesso mamário. Você pode fazer ordenhas depois das mamadas, se o bebê não tiver esvaziado a mama.
Não é necessário interromper a amamentação no seio que estiver com mastite, do contrário: quanto mais o bebê mamar e esvaziar a mama, melhor! Pode ser feita a compressa fria depois das mamadas para diminuir um pouco a produção de leite.
Se houver nódulos palpáveis você deve massageá-los antes de dar de mamar ou de ordenhar. A massagem deve ser vigorosa, em forma de círculos. No Youtube tem vários vídeos ensinando a massagem da ordenha.
É imprescindível que a mulher descanse e repouse o máximo possível para obter uma boa recuperação da mastite.
  • Compressas quentes / compressas frias
A compressa fria por contrair os vasos sanguíneos e ductos mamários é usada como estratégia para diminuir a produção de leite.
Já a compressa quente por dilatar os vasos e aumentar o fluxo sanguíneo na região tem o efeito colateral de aumentar a produção. É indicada antes das ordenhas, pois a dilatação faz com que o leite saia mais fácil.
O pessoal dos Bancos de Leite recomenda não fazer nenhum tipo de compressa, pois na maioria dos casos elas acabam agravando a situação, já que é muito difícil acertar essa medida do quente/frio.
compressa
Como eu já disse, as compressas mornas e o chuveiro morno não adiantavam comigo. Em uma das mastites, resolvi fazer compressa quente (recomendada pelo médico) e o resultado foi que meu peito queimou! A pele caiu todinha e o peito ficou horrível. Fiquei bem desesperada. :(
Por outro lado, as compressas frias me ajudaram a frear um pouco a produção e davam um alívio para os mamilos machucados.
Em um saco plástico eu colocava pedras de gelo e um pouco de água, enrolava numa fralda e fazia a compressa por no máximo 15 minutos. Depois de ordenhar ou depois das mamadas.
  • Fissuras e pomadas
Como meus seios estavam sempre muito cheios, a pega ficava dificultada e os mamilos acabaram feridos. Antes do parto eu havia feito um curso sobre maternidade onde eles orientaram a tirar um pouco de leite antes de oferecer o seio para deixar a aréola bem macia e assim facilitar a pega. Eu fazia isso, mas depois descobri que não esvaziava o suficiente. O ideal é deixar a aréola quase murchinha mesmo. E se necessário pode-se pinçar o mamilo com o indicador e o dedo médio para colocá-lo na boquinha do bebê.
Bom, um dos bicos machucava e cicatrizava rápido enquanto o outro ficou muito tempo rachado de um lado a outro.
Das pomadas de lanolina que usei a Lansinoh é a melhor, sem dúvidas (cheguei a usar Millar e Mater Care). Eu colocava antes das mamadas e tinha a impressão de que doía menos. Aqui em João Pessoa não vende, então compramos pela internet (aqui) e chegou rapidinho pelo E-Sedex.
Também utilizei luz infravermelha e os resultados eram bons. Eu fazia após as mamadas e logo ia fechando os novos ferimentos.
E sempre passava o próprio leite no bico, pois o leite materno tem cicatrizantes além de ser um ótimo hidratante.
Quando dava eu fazia banho de sol nos seios. Isso eu só fiz mesmo na última fase da minha jornada, rsrs.
** Como eu fiz de tudo para cicatrizar os mamilos (passei mais de 2 meses com eles feridos) é melhor eu resumir dizendo o que deu certo pra mim:
– corrigir a pega (aliviando o excesso de leite) + passar o próprio leite e deixar secar ao ar livre. E… Bepantol Derma!
Por indicação médica usei o Bepantol para aliviar o inchaço do seio durante a mastite e também para ajudar na cicatrização dos ferimentos no mamilo.
Diferente da lanolina que é um extrato natural, o bepantol é um medicamento (ele possui uma substância corticóide) e deve ser muito bem retirado do seio antes de oferecê-lo ao bebê. Sempre consulte a opinião de um médico. 
  • Excesso de leite e ordenha
O excesso de leite é comum nos primeiros meses, pois seu corpo ainda está descobrindo qual a quantidade ideal para o seu bebê. “Na dúvida”, o corpo produz uma quantidade maior e com o tempo vai ajustando à demanda.
É comum as mulheres relatarem que o seio secou por volta dos 4 meses do bebê e que por isso elas só amamentaram até essa idade. O que acontece, na verdade, é o ajuste da produção. O corpo passa a produzir apenas o leite necessário para aquele bebê. Costuma-se dizer: o peito deixa de ser estoque para virar fábrica.
O ajuste da produção muitas vezes coincide com algum salto de desenvolvimento, nessa época os bebês choram mais, querem ficar mais tempo no peito e pedem mais colinho da mãe. Algumas mulheres juntam esses dois acontecimentos e concluem que o bebê está chorando porque o leite diminuiu, e então ele está com fome.
É necessário saber que o leite materno é produzido na hora da mamada, enquanto o bebê suga (cerca de 80%). Como a natureza é perfeita, o bebê ao passar por esses saltos e requisitar mais o seio da mãe, está informando cérebro da mulher que em breve ele terá um pico de crescimento e que precisará de mais leitinho. É a produção de leite se ajustando sempre às necessidades do bebê, por isso é tão importante a livre demanda. (Para ler mais sobre saltos de desenvolvimento e picos clique aqui.)
Voltando ao tema: é legal fazer as ordenhas de alívio quando os cheios estiverem muito cheios, principalmente para evitar o ingurgitamento e a mastite. Se você já está com o seio cheio a ordenha deve ser na intenção de apenas aliviar o desconforto, pois à medida que você esvazia, seu corpo entende que é necessário produzir mais, que o bebê está consumindo aquele leite que saiu.
Por conta dessa característica, não é bom ordenhar entre as mamadas, isso atrapalha o estabelecimento da produção. O ideal é amaciar as aréolas antes das mamadas, tirando um pouco de leite, e, se necessário, tirar o excesso depois das mamdas, a fim de esvaziar melhor a mama.
Das bombinhas para tirar leite que usei, recomendo apenas a MaternMilk. Com ela controlamos a intensidade da sucção, evitando assim de machucar os mamilos. Muito boa! Ainda comprei uma bombinha manual da Lillo bem clássica, mas é uma verdadeira estranguladora de peito!
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  • Baixa produção de leite / estímulos
O melhor estímulo para a produção de leite é a sucção do bebê, o contato da boquinha dele passa ao cérebro a informação de que é necessário produzir mais leite. Sinceramente, é um absurdo que os profissionais de saúde não orientem as mães para a relactação nos casos de queixa quanto à quantidade de leite. A relactação é um processo simples e que funciona. Com ele, além de se evitar que o bebê se alimente na mamadeira (e desenvolva uma possível confusão de bicos), é permitido que a produção de leite seja estimulada continuamente.
 Depois que meu leite secou, para voltar a produzir passei a tomar tintura de algodoeiro e a ingerir mais de 4 litros de água por dia.
Se essas condutas são comprovadas cientificamente ou não, eu não sei. Pelo menos pro psicológico serviu… hehehe
Depois que eu comecei a relactar  foi com o aumento da ingestão de líquidos que  a produção engrenou de vez.
  • Conchas
As conchas para amamentar foram outra faca de dois gumes… aliviavam o contato do bico com o sutiã e isso ajudava na cicatrização, mas por outro lado: a pressão constante sobre os seios estimulava a produção, o leite acumulado nas conchas favoreciam o surgimento de bactérias (quem sabe a primeira mastite não foi causada por conta delas?) e dificultavam a circulação na mama. Como eu tinha um super excesso de produção a concha apertava a área ao redor do bico e o leite ficava ali preso. Doía muuuuito para massagear essa área e soltar esse leite e ainda por cima isso dificultava a drenagem das mamas de modo geral. Então, na minha experiência, os benefícios da concha não compensou os prejuízos. Não recomendo.
concha

* Sutiã para amamentar

Como meus seios pesavam muito eu resolvi usar aqueles sutiãs de compressão. Foi a melhor coisa que fiz porque aqueles sutiãs de algodão e alça de borracha não sustentavam nada. E para se evitar mastites é muito importante manter os seios firmes, bem sustentados para que os ductos permaneçam na posição anatômica.

 

Bom, é isso! Se eu lembrar de mais dicas vou adicionando aqui. Espero ter ajudado alguém e qualquer dúvida deixem um comentário. :)

 

 

 

Meu *vitorioso* relato de amamentação

Senta que lá vem história! :)

Aproveitando o início da Semana Mundial do Aleitamento Materno quero inaugurar as  postagens com meu Relato de Amamentação.

Meu filho nasceu dia 10 de maio, de parto normal. Mamou na primeira hora de vida, não saiu de perto de mim desde que nasceu.  Até o segundo dia pós-parto tudo estava tranquilo meus seios incharam e ficaram enormes, mas eu ainda não via o leite sair.  Sabia que existia colostro e que ele estava se alimentando.

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Mamando assim que nasceu. :)

No terceiro dia veio a apojadura e junto com ela o início dos problemas… Eu produzia MUITO leite, o suficiente para uns 4 Vinícius. rsrsrs Acordava com os lençóis ensopados, as conchas coletoras estavam sempre cheias. Antes de amamentar eu ordenhava um pouco para amaciar a aréola, mas descobri mais tarde que não ordenhava o suficiente, pois com os seios cheios começaram a aparecer rachaduras no bico devido à dificuldade na pega. A partir de então doía muito amamentar, uma dor fina que ia subindo pelo ombro e irradiando pelo braço… aliviava um pouco ao longo da mamada e então eu achava que era a dor da adaptação, apesar dos constantes avisos de que amamentar não dói (gente, um pouquinho no começo dói sim rsrs).

Em 16 de maio percebi a mama direita vermelha e quente. O vermelhão chegava até a axila e doía até para fechar o braço. Fui ao Banco de Leite do Hospital da Unimed onde fizeram uma ordenha de alívio e avaliaram a pega do bebê: tudo ok! Nesse mesmo dia comecei a ter febre e calafrios. No dia seguinte retornei ao Banco de Leite e fiz mais uma ordenha de alívio. A enfermeira disse que não se tratava de mastite e aconselhou a não fazer compressas (nem quente nem fria). Continuei com febre e calafrios e no dia 18 de maio encontrei com minha GO no Hospital da Unimed para uma consulta. Ela afirmou que se tratava de uma mastite sim, e me receitou anti-inflamatório, antibiótico e compressas quentes.

Como dizem que a compressa quente aumenta a produção, resolvi não fazer. No entanto, ainda tentei tirar leite no chuveiro com água morna (com pente e tudo rsrs), mas isso nunca deu certo pra mim.

Um pitoquinho de gente mamando!

Um pitoquinho de gente mamando!

Nessa época minha mãe estava passando uns dias comigo e eu não me preocupava com outra coisa a não ser a amamentação. Mesmo assim era muito cansativo e frustrante passar por esses problemas. Não me preparei para amamentar, li quase nada sobre o assunto porque na minha cabeça tudo transcorreria naturalmente, assim como foi o parto. Quando se aproximava a hora de amamentar eu queria me enfiar num buraco bem fundo, pois já sabia o que me esperava… E assim passaram-se alguns dias, me recuperei da mastite e fui me virando como podia entre as dores dos seios feridos e a ordenha do excesso de leite, sempre esperando pelo fim dessa fase.

Até que no dia 3 de junho o processo inflamatório começa novamente: mama super cheia, vermelha, quente. Clinicamente eu tinha febre, vômito, calafrios, pressão baixa… Corri para o Banco de Leite da Unimed de novo. Minha GO estava viajando, então saindo de lá me consultei com o GO plantonista mesmo (por que, meu Deus?!). Para ele aquilo não era mastite, mesmo eu mal me sustentando em pé. Me pediu para ir no Banco Leite tirar o excesso, sendo que eu tinha acabado de sair de lá… Por fim, com muita insistência minha me passou antitbiótico e anti-inflamatório e… recomendou a compressa quente.

No dia seguinte acordei com o peito MUITO cheio, pesava e doía demais. Voltei no Banco de Leite da Unimed, mas a enfermeira que me atendeu não tinha muito jeito e em 1 hora que passei lá ela tirou nem 10ml. Saí desesperada, com o seio doendo tanto quanto antes e decidi tentar o Banco de Leite do Cândida Vargas. Lembro que chorava desesperadamente no carro, pois estava com medo de não conseguirem extrair o leite também. As enfermeiras de lá me acalmaram e realizaram uma ordenha que me trouxe certo alívio. Mas continuei muito preocupada e chegando em casa resolvi fazer a tal compressa quente, pois como não tinha feito da outra vez, pensei: vai que era o que estava faltando para resolver o problema? Tentei ordenhar depois da compressa, mas não saiu muita coisa e pior, como a pele do seio estava muito inflamada e fina a compressa acabou queimando a pele. Isso mesmo! Tive uma queimadura no seio. Pela manhã fui na minha acupunturista, tentar diminuir a inflamação com as agulhas, mas, acredito que ela teve um susto com o aspecto do seio. Não quis nem tentar a acupuntura, me disse que teria que drenar o seio em cirurgia com anestesia geral (!!!) e que eu estava correndo risco de septicemia com o seio naquele estado. Saí correndo daquele consultório, um pouco assustada, mas certa que ela estava equivocada.

O aspecto do seio que sofreu a queimadura.

O aspecto do seio que sofreu a queimadura.

Já recuperado da queimadura.

Já recuperado da queimadura.

No final da tarde fui na minha  GO, que confirmou se tratar de mastite mais uma vez. Mandou seguir o tratamento com antibiótico de novo e disse que se não resolvesse teríamos que suspender a amamentação. Uma amiga indicou uma enfermeira do Hospital Frei Damião, e na mesma noite fui lá tentar ordenhar, pois durante todo o dia eu não tinha conseguido aliviar nada. O BL de lá funciona 24h e lá estávamos às 22:00. Me trataram super bem, retornei no dia seguinte, mas era outra equipe. Dessa vez as enfermeiras ficaram com medo de manusear o seio porque a pele estava começando a cair devido à queimadura. Tiraram quase nada de leite e saí de lá desesperada.

Do carro mesmo liguei para a Academia da Gestante e marquei uma consultoria com Verônica para o dia seguinte, pois haviam me dito que os fisioterapeutas conseguem drenar melhor o leite. E foi a minha salvação! Dois dias de massagens e compressas frias e enfim ela conseguiu desobstruir os ductos. O leite jorrava… até hoje quando vejo o vídeo me surpreendo. Rsrsrs Quando a mama diminuiu mais, coloquei Vinícius para mamar e logo foi controlado o inchaço. Em compensação meu mamilo ficou destroçado. Problema solucionado, seguiram-se dias mais tranquilos.

Acho que foi nessa época a primeira vez que o vi rindo no peito. Uma imagem tão linda que ficou gravada na minha cabeça e sempre me lembrava dela frente às dificuldades que viriam a seguir. Era algo mais ou menos assim:

Vini se deliciando no peitinho!

Êê, mamãe! The peitinho is back! \o/

Tudo estava sob controle, pela manhã eu ordenhava 120ml para aliviar o seio esquerdo e oferecia o direito. Fiz essa rotina e fui almoçar. Num intervalo de 1h, de repente, meu seio esquerdo – que até então não tinha dado nenhum problema – começou a ficar vermelho e quente, doíam as axilas, comecei a tremer de calafrio e lá vamos nós outra vez ao Banco de Leite da Unimed. Saí de lá arrasada, sem acreditar que estava acontecendo tudo novamente. Decidi ir para Campina Grande, fazer o tratamento por lá. Precisava de colo e dos cuidados da minha mãe, sem contar que ela me ajudaria com Vinícius. E assim foi. Era 18 de junho.

No dia 19 fui a uma consulta com a mastologista da minha mãe. Fiz um hemograma que mostrou uma infecção alta, então comecei mais um tratamento com antibiótico e anti-inflamatório. Quando eu cheguei em casa minha GO me ligou e me falou para tomar o remédio para secar o leite, pois não havia sentido mais um tratamento desses. Mas resolvi tentar.

Fiquei frequentando o Banco de Leite do Isea para as ordenhas de alívio. Lá a fisioterapeuta conseguia tirar bastante, mas quando eu chegava em casa mal saía leite. Eu seguia as recomendações e tentava manobras para diminuir a produção, mas tudo o que eu fazia parecia piorar. Os ferimentos estavam no auge, eu não conseguia colocá-lo para mamar em nenhum dos seios. Tirava o leite e ele tomava na mamadeira.

O seio continuou enorme e vermelho por 1 semana, latejava o tempo todo. Ao fim do tratamento fiz uma ultrassom das mamas e como não foi encontrado nenhum abscesso, a mastologista me disse que eu poderia continuar a amamentação, mas que se houvesse uma recaída que eu tomasse o remédio para secar o leite porque o excesso de leite estava se acumulando sob a pele, causando essa inflamação e que eu corria o risco de uma infecção maior. Isso foi numa quinta-feira.

No domingo, dia 30 de junho, de repente percebi o seio ficando vermelho e quente de novo… e aí pedi para o meu marido ir comprar logo o remédio para secar o leite. Tinha chegado ao meu limite, durante todo esse tempo mal aproveitei a companhia do meu filho, nossos momentos se resumiam ao estresse da amamentação. Então, com a consciência tranquila de que estava fazendo o que tinha que ser feito, tomei o remédio. No entanto, mantive a esperança de ele apenas diminuísse a produção. No dia seguinte percebi que o seio não tinha enchido mais do que já estava. A pressão interna da mama diminuiu e o leite começou a sair fácil. Nunca tirei tanto leite em uma ordenha como nesses dias. O remédio toma-se por dois dias apenas. Dois dias tristes me obrigando a aceitar o que estava acontecendo. Tentei rever as causas possíveis, imunidade, causas psicológicas, não sei… sei que a essa altura eu sentia uma grande impotência. Queria exercer minha natureza, amamentar, nutrir meu filho, acalmar com o peito… exercer em plenitude esse instinto.

A dose terminou no dia 2 de julho e nesse dia eu já percebi que o leite começou a ficar aguado com um aspecto translúcido e vi que enfim estava parando de produzir…  Todavia confesso que foram dias de puro alívio. Dormir sem sentir dor, acordar seca sem leite vazando pelo sutiã, não passar o dia tirando leite… simplesmente relaxar e curtir meu filho. Ai, foi ótimo!

No dia 3 de julho tive outra consulta com minha GO e ela me falou que eu deveria tentar novamente colocando o bebê para sugar assim que eu melhorasse dos ferimentos e da inflamação nas mamas.

Desde o dia 29 de junho comecei a me comunicar com Ana Edite, fisioterapeuta e consultora de amamentação. Ela havia passado por problemas de hiperprolactinemia (excesso de produção de prolactina) como eu e pode me ajudar com mais propriedade. No dia 4 de julho nos encontramos e ela foi um anjo nessa fase, não apenas com orientações técnicas, mas principalmente por acolher minha história e se mostrar compreensiva e confiante nesse recomeço.

No dia 5 de julho o que saia dos meus seios era 1 gotinha apenas de um líquido quase transparente. Os seios murchinhos, murchinhos… voltei a usar sutiã 46 (cheguei ao 52 e bem apertado!) Mas decidi recomeçar e coloquei Vinícius para mamar. Ele não gostou nada daquilo, acostumado com o fluxo antigo e mais ainda com o fluxo da mamadeira, ali ele sugava e não saía nada. Ficamos assim até o dia 8.

Nesse dia eu tinha duas consultas marcadas: uma mastologista que me ajudaria a retomar a amamentação e uma fonoaudióloga que me orientaria quanto à relactação. Só uma delas foi feliz.

A mastologista, apesar de já ter ouvido um pouco da história por Ana Edite, acredito que fez um pré julgamento da minha conduta quanto ao remédio para secar o leite. Eu ali na frente dela pedindo orientações para voltar a amamentar e tudo o que ela conseguiu dizer foi: Você não vai mais amamentar! É uma pena ter tirado o leite do seu filho tão pequeno… tanto leite! Você foi mal orientada, não era nem mastite o que você teve. E aí eu mencionei o resultado do hemograma e ela disse: É… então era mastite. Bom, suas mamas estão sadias agora, se você quiser tentar voltar, pode tentar. Às vezes acontece, mas eu acho difícil.

Saí de lá chorando, arrasada. Por sorte, a fonoaudióloga que me atendeu no Cândida Vargas foi muito mais otimista e me disse: Não se preocupe, a relactação tem tudo para dar certo! Eu já vi mães adotivas que conseguiram amamentar, imagina você que tinha tanto leite.

Esse dia resume algo muito importante: tudo é uma questão de apoio para uma amamentação de sucesso.

A partir do dia 8 começamos o processo de relactação (pretendo descrevê-lo melhor em outro post). Não foi fácil! Muito mais prático seria dar o leite na mamadeira e pronto. Mas insistimos e no dia 13 de julho consegui dar uma mamada toda só no peito. A produção começou a aumentar a partir do dia 16, o líquido transparente que saía dos meus seios adquiriu um aspecto de leite finalmente e desde o dia 25 estou amamentando exclusivamente de novo. A produção voltou mais baixa, graças a Deus! Me vi fazendo tudo o que eu evitara anteriormente: muito líquido, compressa de água morna, tintura de algodoeiro….

Interessante foi perceber que não senti nenhuma dor para amamentar nessa nova fase. Acredito que as rachaduras que aconteceram foi devido ao volume do seio, sempre cheio e pesado. Agora que está tudo normalizado posso dizer que é uma maravilha amamentar! Um sentimento de amor muito grande!

Relactação

Relactação: uso da sonda

Lembro que no dia 17 ele estava chorando e aí eu simplesmente o coloquei no peito (sem aquela burocaracia toda de ordenhar, tirar pomada, etc) e foi tão gostoso! Uma sensação tão boa de completude, de felicidade. Ai, finalmente… conheci a praticidade, a alegria da amamentação… fiquei radiante!  Tirei uma foto desse momento, estava realizada:

Feliz da vida!

Feliz da vida!

Mas para o final feliz ser diferenciado essa história termina assim: na madrugada o dia 29 de julho acordei com o seio direito vermelho e quente, dor nas axilas novamente. Me desesperei, né?  Eu e meu marido perdemos o sono, eu não acreditava naquilo. Mas aí reparei que: o seio não estava duro e cheio como das outras vezes e eu não apresentava nem febre nem calafrios. Me acalmei e rezei para que tudo continuasse assim.

Quando amanheceu o dia comecei a ligar para mastologistas, por fim consegui uma consulta que não me deixou muito satisfeita e acabei retornando na médica chata que não acreditou que eu conseguiria amamentar. Quando ela me viu na sala fez uma cara de: Você aqui de novo? Mas quando eu mostrei os seios cheinhos de leite, um deles ingurgitado até, ela arregalou os olhos e disse: Quer dizer que aquele peito que não tinha nada voltou a produzir leite??? Não acredito!

Hahahahaha, lavei a alma, dei o troco, sambei na cara dela, né? Quem não ia produzir leite agora, bitch? 😀

E aí o tratamento foi outro! Ela super animada disse que não se tratava de mastite, pela ausência de outros sintomas, que eu tomasse apenas anti-inflamatórios e continuasse a amamentar nesse seio. (A outra médica disse que era mastite e que eu não amamentasse nesse seio).

Enfim, mesmo com o seio inflamado eu agradeço a Deus por não ser mais uma mastite, o problema está controlado, continuo amamentando e daqui a pouco Vinícius completa 3 meses. É a metade do caminho. É certo que eu complementei com leite Nam algumas vezes, nos períodos mais críticos, mas digo feliz que não foi nem 1 mês completo de leite artificial. Sei que o problema pode ressurgir, outros podem aparecer, mas até aqui me sinto muito vitoriosa, orgulhosa de mim e do meu filho, muito grata a quem me ajudou e me apoiou nessa jornada, a quem entende a importância da amamentação, especialmente meu marido que sempre esteve ao meu lado, me acompanhando e me dando força durante esse processo. Não é pela nutrição apenas, é pelo laço, pelo vínculo e confiança que se constrói. Eu não queria ficar devendo isso ao meu filho, e não vou. Continuaremos fazendo tudo o que for possível para prosseguir com a amamentação. Não sei quantos dias estão reservados pra gente, mas cada dia é uma vitória, é lucro, é realização.

Vini diz: "esse peitinho é meu e ninguém tasca!"

Esse peitinho é meu e ninguém tasca!

Agradeço a meu marido pelo apoio incondicional.
A minha mãe que me ajudou infinitamente.

A Verônica que facilitou minha recuperação.
A Ana Edite que me compreendeu e me deu forças para continuar.

A Juliana, minha querida doula, que me apresentou a Ana Edite e me ajudou em tantos momentos.

E tod@s @s amig@s que torceram por nós e que nos mandaram boas energias e palavras de incentivo e solidariedade.

Obrigada!!!!