O parto da Carol – parte 1

Pensei muito antes de iniciar esse post. Primeiramente porque eu já sabia que não encontraria palavras para descrever a emoção e tudo o que significa esse parto. Segundo porque não quero estragar com as minhas palavras o que Carol está tecendo desde antes do nascimento de Daniel: um relato que certamente inspirará outras mulheres a realizarem tudo o que seus corações desejarem. Quando ela terminar vou pedir autorização para postá-lo aqui. :)

Mas, ontem começou uma manifestação nacional (e internacional também!) contra o caso ocorrido em Torres-RS, onde uma mulher (Adelir Guimarães) foi levada presa para ser submetida a uma cesariana sob alegação de que estava pondo em risco a vida do filho. Esse caso já foi amplamente noticiado e debatido e quem quiser saber mais pode encontrar detalhes aqui, aqui e aqui. Esse episódio dramático mexeu muito com todos que lutam e acreditam na humanização do parto. Cada vez que penso sobre ele, me revolta e me choca o abuso de direito do Estado e a violação dos direitos mais básicos do ser humano, dentre eles a integridade do próprio corpo e a liberdade de suas escolhas.

E então, resolvi fazer esse post não para relatar o parto de Carol, mas para, através da fotografia, contestar e levantar bandeira: por que é negado às mulheres receberem seus bebês assim? Na tranquilidade do local que escolherem, acompanhadas das pessoas que escolherem, pela via de nascimento que escolherem?

Assim como Adelir, Carol tinha duas cesáreas prévias. E seu útero não rompeu. Existia o risco de uma ruptura uterina? Sim, existia. O que os médicos não falam é que este risco existe desde a primeira gestação para qualquer mulher no planeta, mas ele é baixíssimo e por outro lado aumenta à medida que mais incisões cirúrgicas vão sendo feitas no útero. Assim, cesarianas sucessivas envolve mais riscos que a tentativa de um parto normal após cesárea.

O parto de Carol não deveria ser  exceção. Não deveria ser uma realidade distante para a maioria das brasileiras. Todas merecemos parir em paz, com respeito, cercadas de amor. Da forma como escolhemos. São direitos básicos.E é por isto que lutamos, por todas nós, da rede privada, da rede pública, seja como for. Parir é  um evento familiar, é uma aliança com a humanidade. O parto precisa retomar seu lugar de sagrado.

**

Carol pariu em casa, numa tranquilidade que jamais vi. Serena, consciente do seu corpo. O bebê nasceu com 4,5kg. Não houve laceração no períneo. Não houve pressa.

Durante a gestação eu vibrava nas nossas conversas pela Facebook a cada “reviravolta” desse parto: ia ser hospitalar, podia aparecer uma pré-eclâmpsia, ia ser a última tentativa; ia ser pelo menos uma indução; vai ser domiciliar, o bebê que estava pélvico virou (mas isto não era um problema!), apareceu uma parteira perfeita para o plano, a médica topou ficar de backup, pródromos prolongados… as semanas passaram em ansiedade no desejo de um parto que floresceu em muitos corações…

E então, aquela mulher negada ao direito de parir há 4 anos atrás, finalmente realizava o desejo do corpo e do coração, numa facilidade, tranquilidade e simplicidade… que atestava claramente: sim, nós mulheres sabemos parir. Nós, mulheres, gostamos de parir.

 

O pai que esperava ansioso a hora do parto

O pai que esperava ansioso a hora do parto

detalhes do parto em casa: Reparir é o nome do blog de Juliana e este mimo foi presente de Carol. Estava lá pendurado de frente para cama, ao lado do quadro com versículos da Bíblia em romeno.

detalhes do parto em casa: Reparir é o nome do blog de Juliana e este mimo foi presente de Carol. Estava lá pendurado de frente para cama, ao lado do quadro com versículos da Bíblia em romeno.

"Vou descansar um pouco e depois quando eu acordar vamos nos mexer para esse parto acontecer hoje."

“Vou descansar um pouco e depois quando eu acordar vamos nos mexer para esse parto acontecer hoje.”

escalda-pés para relaxar...

escalda-pés para relaxar…

cenas do parto em casa: conversa com a parteira, amiga amamentando na rede...

cenas do parto em casa: conversa com a parteira, amiga amamentando na rede…

Carol com 6,5cm de dilatação.

Carol com 6,5cm de dilatação.

saímos para caminhar na pracinha ao lado... este é o céu daquele tarde.

saímos para caminhar na pracinha ao lado… este é o céu daquele tarde

cenas do parto em casa: nosso jantar!

cenas do parto em casa: nosso jantar!

só o universo explica um encontro de almas como esse!

só o universo explica um encontro de almas como esse!

Carol, aos NOVE cm de dilatação. Isso mesmo!

Carol, aos NOVE cm de dilatação. Isso mesmo!

Daniel saiu lentamente e foi tranquilamente aparado por Regine, a parteira.

Daniel saiu lentamente e foi tranquilamente aparado por Regine, a parteira

o momento em que descobriram o sexo do bebê

o momento em que descobriram o sexo do bebê

papai orgulhoso!

papai orgulhoso!

a querida tia Marli, que tinha viagem marcada para a madrugada, mas conseguiu assistir ao parto

a querida tia Marli, que tinha viagem marcada para a madrugada, mas conseguiu assistir ao parto

Daniel foi parido em casa, depois de duas cesáreas. Nasceu com 4,5kg. Não houve laceração no períneo, o útero não rompeu. Nós mulheres sabemos parir! :)

Daniel foi parido em casa, depois de duas cesáreas. Nasceu com 4,5kg. Não houve laceração no períneo, o útero não rompeu. Nós mulheres sabemos parir! :)

 

Gratidão! :)