Relactação: como fazer

A relactação é recomendada para mães que desejam aumentar a produção de leite, mães adotivas que desejam amamentar ou para aquelas que interromperam a amamentação por algum motivo e querem retomá-la.

Esse é um passo a passo simples, qualquer dúvida vocês podem postar nos comentários que à medida do possível eu vou respondendo.

  • Para a relactação é preciso apenas:
– mamdeira
– sonda nº 4 ou 6 (compre várias, é mais fácil descartá-las a cada mamada do que tentar lavar).
A sonda é encontrada em lojas de equipamento médico-hospitalar. Pode ser a nasogástrica, uretal, traquel… tanto faz. O importante é retirar a pontinha que tem uns furinhos e também retirar o tubinho da outra extremidade:
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Você tira com a mão mesmo, antes de usar a sonda porque elas vem estéreis e o uso de tesoura ou faca pode contaminar a sonda.
(Claro que devemos lavar as mãos antes de começar o processo!)
  • VALE A PENA COMPRAR O MAMATUTTI?
Existe no mercado kits de relactação. Aqui em João Pessoa eu encontrei o MamaTutti.
O kit consiste em um copo com uma tampa onde você colocará a sonda. Só vem 1 sonda no kit.
(De qualquer forma você terá que comprar outras. A sonda do MamaTutti é nº 6).
Comprei, mas sinceramente usei muito mais as mamadeiras. O resultado é o mesmo! E eu achei mais fácil apoiar as mamadeiras no corpo do que o copo do kit.
Então se você quiser economizar, as mamadeiras funcionam bem.
  • COMEÇANDO A RELACTAÇÃO:
Prepare a mamadeira com a quantidade usual de leite. Coloque a sonda.
Posicione o bebê como se fosse amamentá-lo no seio. Coloque a ponta da sonda ao lado do mamilo e segure com uma das mãos, quando o bebê for abocanhar o seio coloque dentro da sua boquinha o mamilo junto com a sonda.
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No começo pode parecer complicado esses movimentos, mas você vai descobrindo um jeito que tornará o processo mais fácil.
Deixe o bebê sugar.
Sempre use a sonda para dar o leite, pois a sucção do bebê é o estímulo que seu corpo precisa para voltar a produzir leite. Não desista!
A relactação é um ótimo processo para aumentar a produção de leite e estabelecer a amamentação.
  • DICAS:
-A posição da mamadeira:
Quanto mais abaixo do nível da boca do bebê, mais esforço ele terá de fazer para o leite subir. Isso é bom pois treina uma sucção mais forte e o acostuma com o fluxo lento do leite que sairá do peito. Por outro lado, quanto mais próximo do nível da boca do bebê o leite será sugado mais facilmente. Então tente manter mamadeira na altura da sua cintura.
– O fluxo de leite:
Quando você perceber que seu bebê está tomando rapidamente o leite da mamdeira ou que o leite está escorrendo pela boquinha é importante começar a dificultar o fluxo para que ele se acostume com a dinâmica do leite do peito.
Você pode apertar a sonda com a unha  e assim interromper o fluxo por alguns segundos. Faça isso algumas vezes durante a mamada.
Outra coisa que pode ser feita é dar um nó na sonda, não é necessário apertá-lo. Um nó frouxo mesmo.
No meu caso, eu cheguei a dar 3 nós para conseguir um fluxo mais lento. A sucção do meu bebê é muito boa e logo ele conseguia superar o “obstáculo”.
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– A quantidade de leite:
Se o seu bebê soltar o peito e sobrar leite na mamadeira não se preocupe. Ele se alimenta do leite artificial e também do leite materno que aos poucos começa a ser produzido. Na próxima mamadeira faça a quantidade que ele tomou na anterior até que a quantidade de leite artificial seja mínima e você possa finalmente dar adeus à mamadeira.
No meu caso fizemos assim:
Ele tomava 120ml. Passamos uns 5  dias preparando mamadeira com essa quantidade. Logo eu percebi que ele deixava 30ml na mamadeira. A partir de então eu comecei a preparar 90ml. Na maioria das vezes ele ficava satisfeito com esses 90ml, mas as vezes ele chorava. Eu tentava entretê-lo e se o choro passava eu não acrescentava mais leite. Se ele continuasse chorando, claramente com fome, eu colocava mais um pouco. Com mais alguns dias eu percebia que ele tomava 60ml. Passei alguns dias dando então apenas 60ml. E logo desses 60 ele tomava apenas 30ml. A partir desse momento comecei a pensar em suspender a relactação e voltar ao peito totalmente, pois desses 30ml as vezes ele tomava só 10.
Como a produção ainda estava se consolidando houve momentos de insegurança em que eu ainda ofereci o leite com a sonda, principalmente na mamada antes de dormir. Mas à medida que o leite sobrava mesmo na mamadeira eu resolvi que ele teria que se acostumar só com o seio novamente.
Passamos uns 3 dias de adaptação (eu e ele). Ele teve que se acostumar a mamar só no peito e eu a voltar a amamentar em livre demanda.
As vezes ele chorava 1 hora depois de mamar e eu pensava que não era fome (acostumada com a mamadeira), mas aí eu passei a oferecer o peito sempre que ele chorava e rápido nos readaptamos à essa nova dinâmica.
  • Entendendo a dinâmica mamadeira x peito:
Na mamadeira o bebê toma uma grande quantidade rapidamente porque o fluxo é mais fácil e contínuo. Ele só sentirá fome daqui há 3 horas mais ou menos porque o leite artificial é mais difícil de ser digerido.
Já quando o bebê mama no peito não podemos precisar exatamente quanto ele ingeriu em cada mamada, ele pode ingerir 120 ml em uma e 60 ml em outra, por exemplo. Como o leite materno é leve e de fácil digestão ele sentirá fome em um intervalo menor. Ofereça o peito sempre que seu bebê apresentar sinais de fome, isso é a livre demanda.
Chegando ao final do processo de relactação, não se preocupe se ele se mostrar um pouco impaciente ou chorão. Existe uma fase de transição, afinal os hábitos mudam e o bebê sente essa diferença.
Meu filho ficou 3 dias sem fazer cocô e quando voltou a fazer era bem pouquinho. Também começou a aparecer uma mancha laranja nas fraldas de xixi. Pesquisei no Google e li que essa manchinha laranja era normal e resultado de uma urina concentrada, talvez um indício de desidratação. Então resolvi ingerir muita água para que ele também consumisse mais água (achismo de mãe, tá gente?). Sei que deu certo, a mancha laranja não apareceu mais e uma vez que aumentei o consumo de líquidos (mais de 4 litros de água por dia) minha produção finalmente engatou. Para a produção aumentar é importante deixar o bebê sugar o máximo possível, deixar “fazer o peito de chupeta”, etc. O contato físico é fundamental nesse processo… dormir juntinho, tomar banho juntos, muito colo. Assim o seu cérebro vai receber todas as informações e estímulos possíveis para entender que é preciso produzir mais leite para o bebê.
Eu contei com a ajuda de uma fonoaudióloga (Manuela Leitão) que me deu essas dicas e com uma consultora em amamentação que me deu muito apoio (Ana Edite Espínola). Nada substitui o acompanhamento de profissionais.
Blogs que consultei:

Meu *vitorioso* relato de amamentação

Senta que lá vem história! :)

Aproveitando o início da Semana Mundial do Aleitamento Materno quero inaugurar as  postagens com meu Relato de Amamentação.

Meu filho nasceu dia 10 de maio, de parto normal. Mamou na primeira hora de vida, não saiu de perto de mim desde que nasceu.  Até o segundo dia pós-parto tudo estava tranquilo meus seios incharam e ficaram enormes, mas eu ainda não via o leite sair.  Sabia que existia colostro e que ele estava se alimentando.

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Mamando assim que nasceu. :)

No terceiro dia veio a apojadura e junto com ela o início dos problemas… Eu produzia MUITO leite, o suficiente para uns 4 Vinícius. rsrsrs Acordava com os lençóis ensopados, as conchas coletoras estavam sempre cheias. Antes de amamentar eu ordenhava um pouco para amaciar a aréola, mas descobri mais tarde que não ordenhava o suficiente, pois com os seios cheios começaram a aparecer rachaduras no bico devido à dificuldade na pega. A partir de então doía muito amamentar, uma dor fina que ia subindo pelo ombro e irradiando pelo braço… aliviava um pouco ao longo da mamada e então eu achava que era a dor da adaptação, apesar dos constantes avisos de que amamentar não dói (gente, um pouquinho no começo dói sim rsrs).

Em 16 de maio percebi a mama direita vermelha e quente. O vermelhão chegava até a axila e doía até para fechar o braço. Fui ao Banco de Leite do Hospital da Unimed onde fizeram uma ordenha de alívio e avaliaram a pega do bebê: tudo ok! Nesse mesmo dia comecei a ter febre e calafrios. No dia seguinte retornei ao Banco de Leite e fiz mais uma ordenha de alívio. A enfermeira disse que não se tratava de mastite e aconselhou a não fazer compressas (nem quente nem fria). Continuei com febre e calafrios e no dia 18 de maio encontrei com minha GO no Hospital da Unimed para uma consulta. Ela afirmou que se tratava de uma mastite sim, e me receitou anti-inflamatório, antibiótico e compressas quentes.

Como dizem que a compressa quente aumenta a produção, resolvi não fazer. No entanto, ainda tentei tirar leite no chuveiro com água morna (com pente e tudo rsrs), mas isso nunca deu certo pra mim.

Um pitoquinho de gente mamando!

Um pitoquinho de gente mamando!

Nessa época minha mãe estava passando uns dias comigo e eu não me preocupava com outra coisa a não ser a amamentação. Mesmo assim era muito cansativo e frustrante passar por esses problemas. Não me preparei para amamentar, li quase nada sobre o assunto porque na minha cabeça tudo transcorreria naturalmente, assim como foi o parto. Quando se aproximava a hora de amamentar eu queria me enfiar num buraco bem fundo, pois já sabia o que me esperava… E assim passaram-se alguns dias, me recuperei da mastite e fui me virando como podia entre as dores dos seios feridos e a ordenha do excesso de leite, sempre esperando pelo fim dessa fase.

Até que no dia 3 de junho o processo inflamatório começa novamente: mama super cheia, vermelha, quente. Clinicamente eu tinha febre, vômito, calafrios, pressão baixa… Corri para o Banco de Leite da Unimed de novo. Minha GO estava viajando, então saindo de lá me consultei com o GO plantonista mesmo (por que, meu Deus?!). Para ele aquilo não era mastite, mesmo eu mal me sustentando em pé. Me pediu para ir no Banco Leite tirar o excesso, sendo que eu tinha acabado de sair de lá… Por fim, com muita insistência minha me passou antitbiótico e anti-inflamatório e… recomendou a compressa quente.

No dia seguinte acordei com o peito MUITO cheio, pesava e doía demais. Voltei no Banco de Leite da Unimed, mas a enfermeira que me atendeu não tinha muito jeito e em 1 hora que passei lá ela tirou nem 10ml. Saí desesperada, com o seio doendo tanto quanto antes e decidi tentar o Banco de Leite do Cândida Vargas. Lembro que chorava desesperadamente no carro, pois estava com medo de não conseguirem extrair o leite também. As enfermeiras de lá me acalmaram e realizaram uma ordenha que me trouxe certo alívio. Mas continuei muito preocupada e chegando em casa resolvi fazer a tal compressa quente, pois como não tinha feito da outra vez, pensei: vai que era o que estava faltando para resolver o problema? Tentei ordenhar depois da compressa, mas não saiu muita coisa e pior, como a pele do seio estava muito inflamada e fina a compressa acabou queimando a pele. Isso mesmo! Tive uma queimadura no seio. Pela manhã fui na minha acupunturista, tentar diminuir a inflamação com as agulhas, mas, acredito que ela teve um susto com o aspecto do seio. Não quis nem tentar a acupuntura, me disse que teria que drenar o seio em cirurgia com anestesia geral (!!!) e que eu estava correndo risco de septicemia com o seio naquele estado. Saí correndo daquele consultório, um pouco assustada, mas certa que ela estava equivocada.

O aspecto do seio que sofreu a queimadura.

O aspecto do seio que sofreu a queimadura.

Já recuperado da queimadura.

Já recuperado da queimadura.

No final da tarde fui na minha  GO, que confirmou se tratar de mastite mais uma vez. Mandou seguir o tratamento com antibiótico de novo e disse que se não resolvesse teríamos que suspender a amamentação. Uma amiga indicou uma enfermeira do Hospital Frei Damião, e na mesma noite fui lá tentar ordenhar, pois durante todo o dia eu não tinha conseguido aliviar nada. O BL de lá funciona 24h e lá estávamos às 22:00. Me trataram super bem, retornei no dia seguinte, mas era outra equipe. Dessa vez as enfermeiras ficaram com medo de manusear o seio porque a pele estava começando a cair devido à queimadura. Tiraram quase nada de leite e saí de lá desesperada.

Do carro mesmo liguei para a Academia da Gestante e marquei uma consultoria com Verônica para o dia seguinte, pois haviam me dito que os fisioterapeutas conseguem drenar melhor o leite. E foi a minha salvação! Dois dias de massagens e compressas frias e enfim ela conseguiu desobstruir os ductos. O leite jorrava… até hoje quando vejo o vídeo me surpreendo. Rsrsrs Quando a mama diminuiu mais, coloquei Vinícius para mamar e logo foi controlado o inchaço. Em compensação meu mamilo ficou destroçado. Problema solucionado, seguiram-se dias mais tranquilos.

Acho que foi nessa época a primeira vez que o vi rindo no peito. Uma imagem tão linda que ficou gravada na minha cabeça e sempre me lembrava dela frente às dificuldades que viriam a seguir. Era algo mais ou menos assim:

Vini se deliciando no peitinho!

Êê, mamãe! The peitinho is back! \o/

Tudo estava sob controle, pela manhã eu ordenhava 120ml para aliviar o seio esquerdo e oferecia o direito. Fiz essa rotina e fui almoçar. Num intervalo de 1h, de repente, meu seio esquerdo – que até então não tinha dado nenhum problema – começou a ficar vermelho e quente, doíam as axilas, comecei a tremer de calafrio e lá vamos nós outra vez ao Banco de Leite da Unimed. Saí de lá arrasada, sem acreditar que estava acontecendo tudo novamente. Decidi ir para Campina Grande, fazer o tratamento por lá. Precisava de colo e dos cuidados da minha mãe, sem contar que ela me ajudaria com Vinícius. E assim foi. Era 18 de junho.

No dia 19 fui a uma consulta com a mastologista da minha mãe. Fiz um hemograma que mostrou uma infecção alta, então comecei mais um tratamento com antibiótico e anti-inflamatório. Quando eu cheguei em casa minha GO me ligou e me falou para tomar o remédio para secar o leite, pois não havia sentido mais um tratamento desses. Mas resolvi tentar.

Fiquei frequentando o Banco de Leite do Isea para as ordenhas de alívio. Lá a fisioterapeuta conseguia tirar bastante, mas quando eu chegava em casa mal saía leite. Eu seguia as recomendações e tentava manobras para diminuir a produção, mas tudo o que eu fazia parecia piorar. Os ferimentos estavam no auge, eu não conseguia colocá-lo para mamar em nenhum dos seios. Tirava o leite e ele tomava na mamadeira.

O seio continuou enorme e vermelho por 1 semana, latejava o tempo todo. Ao fim do tratamento fiz uma ultrassom das mamas e como não foi encontrado nenhum abscesso, a mastologista me disse que eu poderia continuar a amamentação, mas que se houvesse uma recaída que eu tomasse o remédio para secar o leite porque o excesso de leite estava se acumulando sob a pele, causando essa inflamação e que eu corria o risco de uma infecção maior. Isso foi numa quinta-feira.

No domingo, dia 30 de junho, de repente percebi o seio ficando vermelho e quente de novo… e aí pedi para o meu marido ir comprar logo o remédio para secar o leite. Tinha chegado ao meu limite, durante todo esse tempo mal aproveitei a companhia do meu filho, nossos momentos se resumiam ao estresse da amamentação. Então, com a consciência tranquila de que estava fazendo o que tinha que ser feito, tomei o remédio. No entanto, mantive a esperança de ele apenas diminuísse a produção. No dia seguinte percebi que o seio não tinha enchido mais do que já estava. A pressão interna da mama diminuiu e o leite começou a sair fácil. Nunca tirei tanto leite em uma ordenha como nesses dias. O remédio toma-se por dois dias apenas. Dois dias tristes me obrigando a aceitar o que estava acontecendo. Tentei rever as causas possíveis, imunidade, causas psicológicas, não sei… sei que a essa altura eu sentia uma grande impotência. Queria exercer minha natureza, amamentar, nutrir meu filho, acalmar com o peito… exercer em plenitude esse instinto.

A dose terminou no dia 2 de julho e nesse dia eu já percebi que o leite começou a ficar aguado com um aspecto translúcido e vi que enfim estava parando de produzir…  Todavia confesso que foram dias de puro alívio. Dormir sem sentir dor, acordar seca sem leite vazando pelo sutiã, não passar o dia tirando leite… simplesmente relaxar e curtir meu filho. Ai, foi ótimo!

No dia 3 de julho tive outra consulta com minha GO e ela me falou que eu deveria tentar novamente colocando o bebê para sugar assim que eu melhorasse dos ferimentos e da inflamação nas mamas.

Desde o dia 29 de junho comecei a me comunicar com Ana Edite, fisioterapeuta e consultora de amamentação. Ela havia passado por problemas de hiperprolactinemia (excesso de produção de prolactina) como eu e pode me ajudar com mais propriedade. No dia 4 de julho nos encontramos e ela foi um anjo nessa fase, não apenas com orientações técnicas, mas principalmente por acolher minha história e se mostrar compreensiva e confiante nesse recomeço.

No dia 5 de julho o que saia dos meus seios era 1 gotinha apenas de um líquido quase transparente. Os seios murchinhos, murchinhos… voltei a usar sutiã 46 (cheguei ao 52 e bem apertado!) Mas decidi recomeçar e coloquei Vinícius para mamar. Ele não gostou nada daquilo, acostumado com o fluxo antigo e mais ainda com o fluxo da mamadeira, ali ele sugava e não saía nada. Ficamos assim até o dia 8.

Nesse dia eu tinha duas consultas marcadas: uma mastologista que me ajudaria a retomar a amamentação e uma fonoaudióloga que me orientaria quanto à relactação. Só uma delas foi feliz.

A mastologista, apesar de já ter ouvido um pouco da história por Ana Edite, acredito que fez um pré julgamento da minha conduta quanto ao remédio para secar o leite. Eu ali na frente dela pedindo orientações para voltar a amamentar e tudo o que ela conseguiu dizer foi: Você não vai mais amamentar! É uma pena ter tirado o leite do seu filho tão pequeno… tanto leite! Você foi mal orientada, não era nem mastite o que você teve. E aí eu mencionei o resultado do hemograma e ela disse: É… então era mastite. Bom, suas mamas estão sadias agora, se você quiser tentar voltar, pode tentar. Às vezes acontece, mas eu acho difícil.

Saí de lá chorando, arrasada. Por sorte, a fonoaudióloga que me atendeu no Cândida Vargas foi muito mais otimista e me disse: Não se preocupe, a relactação tem tudo para dar certo! Eu já vi mães adotivas que conseguiram amamentar, imagina você que tinha tanto leite.

Esse dia resume algo muito importante: tudo é uma questão de apoio para uma amamentação de sucesso.

A partir do dia 8 começamos o processo de relactação (pretendo descrevê-lo melhor em outro post). Não foi fácil! Muito mais prático seria dar o leite na mamadeira e pronto. Mas insistimos e no dia 13 de julho consegui dar uma mamada toda só no peito. A produção começou a aumentar a partir do dia 16, o líquido transparente que saía dos meus seios adquiriu um aspecto de leite finalmente e desde o dia 25 estou amamentando exclusivamente de novo. A produção voltou mais baixa, graças a Deus! Me vi fazendo tudo o que eu evitara anteriormente: muito líquido, compressa de água morna, tintura de algodoeiro….

Interessante foi perceber que não senti nenhuma dor para amamentar nessa nova fase. Acredito que as rachaduras que aconteceram foi devido ao volume do seio, sempre cheio e pesado. Agora que está tudo normalizado posso dizer que é uma maravilha amamentar! Um sentimento de amor muito grande!

Relactação

Relactação: uso da sonda

Lembro que no dia 17 ele estava chorando e aí eu simplesmente o coloquei no peito (sem aquela burocaracia toda de ordenhar, tirar pomada, etc) e foi tão gostoso! Uma sensação tão boa de completude, de felicidade. Ai, finalmente… conheci a praticidade, a alegria da amamentação… fiquei radiante!  Tirei uma foto desse momento, estava realizada:

Feliz da vida!

Feliz da vida!

Mas para o final feliz ser diferenciado essa história termina assim: na madrugada o dia 29 de julho acordei com o seio direito vermelho e quente, dor nas axilas novamente. Me desesperei, né?  Eu e meu marido perdemos o sono, eu não acreditava naquilo. Mas aí reparei que: o seio não estava duro e cheio como das outras vezes e eu não apresentava nem febre nem calafrios. Me acalmei e rezei para que tudo continuasse assim.

Quando amanheceu o dia comecei a ligar para mastologistas, por fim consegui uma consulta que não me deixou muito satisfeita e acabei retornando na médica chata que não acreditou que eu conseguiria amamentar. Quando ela me viu na sala fez uma cara de: Você aqui de novo? Mas quando eu mostrei os seios cheinhos de leite, um deles ingurgitado até, ela arregalou os olhos e disse: Quer dizer que aquele peito que não tinha nada voltou a produzir leite??? Não acredito!

Hahahahaha, lavei a alma, dei o troco, sambei na cara dela, né? Quem não ia produzir leite agora, bitch? 😀

E aí o tratamento foi outro! Ela super animada disse que não se tratava de mastite, pela ausência de outros sintomas, que eu tomasse apenas anti-inflamatórios e continuasse a amamentar nesse seio. (A outra médica disse que era mastite e que eu não amamentasse nesse seio).

Enfim, mesmo com o seio inflamado eu agradeço a Deus por não ser mais uma mastite, o problema está controlado, continuo amamentando e daqui a pouco Vinícius completa 3 meses. É a metade do caminho. É certo que eu complementei com leite Nam algumas vezes, nos períodos mais críticos, mas digo feliz que não foi nem 1 mês completo de leite artificial. Sei que o problema pode ressurgir, outros podem aparecer, mas até aqui me sinto muito vitoriosa, orgulhosa de mim e do meu filho, muito grata a quem me ajudou e me apoiou nessa jornada, a quem entende a importância da amamentação, especialmente meu marido que sempre esteve ao meu lado, me acompanhando e me dando força durante esse processo. Não é pela nutrição apenas, é pelo laço, pelo vínculo e confiança que se constrói. Eu não queria ficar devendo isso ao meu filho, e não vou. Continuaremos fazendo tudo o que for possível para prosseguir com a amamentação. Não sei quantos dias estão reservados pra gente, mas cada dia é uma vitória, é lucro, é realização.

Vini diz: "esse peitinho é meu e ninguém tasca!"

Esse peitinho é meu e ninguém tasca!

Agradeço a meu marido pelo apoio incondicional.
A minha mãe que me ajudou infinitamente.

A Verônica que facilitou minha recuperação.
A Ana Edite que me compreendeu e me deu forças para continuar.

A Juliana, minha querida doula, que me apresentou a Ana Edite e me ajudou em tantos momentos.

E tod@s @s amig@s que torceram por nós e que nos mandaram boas energias e palavras de incentivo e solidariedade.

Obrigada!!!!